Não importa qual é a sua área de atuação ou com o que você quer trabalhar um dia. É muito provável que você tenha a sua produtividade cobrada e avaliada a todo o momento, e sabe o que pode ajudá-lo a bater suas metas? Felicidade.

A boa notícia nesse sentido é que cada vez mais pesquisas estão sendo feitas com o objetivo de mostrar às empresas que investimentos em ambientes de trabalho mais positivos têm grandes retornos no que diz respeito à produtividade dos funcionários.

Até pouco tempo atrás, o que se sabia era que ambientes de altos níveis de estresse e pressão obrigavam os funcionários a produzirem mais e mais. Esse estilo de “incentivo à produção”, digamos assim, tem também seu lado negativo, que nada mais é do que problemas e gastos com saúde – empresas que trabalham com essa tática de alta pressão têm simplesmente o dobro de gastos com assistência médica.

De acordo com Emma M. Seppälä, da Universidade de Stanford e que escreve ao Psychology Today, entre 60% e 80% dos acidentes de trabalho têm relação com o estresse, que provoca problemas de saúde como a síndrome metabólica e doenças cardiovasculares de modo geral. De acordo com Seppälä, é comprovado que o estresse inicialmente pode até aumentar a produtividade dos funcionários, mas, em longo prazo, tem efeito contrário.

Esse efeito contrário, por sua vez, custa caro às empresas, e como lucro é geralmente a maior preocupação, talvez seja esse o apelo que estava faltando para algumas mudanças de postura empresarial. Seppälä usa como base um estudo realizado pela Queens’ School of Business, que revelou que trabalhadores desmotivados ficam 37% mais ausentes do trabalho, sofrem 49% mais acidentes e erram 60% a mais em relação aos trabalhadores motivados e felizes.

A mesma pesquisa revelou que, em empresas cujos funcionários se dizem infelizes com o ambiente de trabalho, a produtividade é 18% menor, assim como o lucro das empresas, que é 16% mais baixo em relação ao das empresas com funcionários satisfeitos. Esse reflexo é visto até mesmo no mercado de ações: o preço das ações de empresas com funcionários insatisfeitos chega a ser 65% menor em relação ao das empresas-modelo.

Ainda não está convencido de que um ambiente motivador realmente faz a diferença? Pois então tem mais: em empresas que não proporcionam um bom ambiente de trabalho, cerca de metade dos funcionários acaba procurando uma maneira de ter renda extra, para no futuro conseguirem se desvencilhar do local de trabalho. E sabe o que significa substituir um funcionário por um novo? Gastos para o empregador.

De acordo com Seppälä, não é difícil criar um ambiente de trabalho que seja capaz de deixar os funcionários felizes. Ela aposta em seis pontos que podem ser adotados pelos líderes das empresas:

  •         Mostrar interesse e preocupação com os funcionários;
  •         Oferecer suporte, sempre que possível e, inclusive, agir com generosidade e compaixão;
  •         Evitar culpar funcionários e procurar perdoar eventuais erros;
  •         Tentar inspirar as pessoas a trabalharem melhor;
  •         Sempre enfatizar a importância do trabalho desses funcionários;
  •         Tratar todos com respeito, gratidão, confiança e integridade.

Para desenvolver esses pontos, Seppälä expõe quatro passos, comprovadamente eficazes quando o assunto é motivar pessoas:

1 – Relações interpessoais

Sabe o que acontece quando as pessoas têm uma boa relação com os colegas de trabalho? Elas produzem mais e ficam mais felizes. E não é só isso: elas ficam doentes com menos frequência, se recuperam duas vezes mais rápido se precisam passar por alguma cirurgia, têm menos depressão, aprendem mais e têm boa memória. Tá pouco? Pois saiba que elas são inclusive mais tolerantes à dor.

Uma pesquisa realizada por Sarah Pressman, da Universidade da Califórnia, revelou que a probabilidade de as pessoas morrerem mais cedo é 20% mais alta para quem é obeso; 30% mais alta para alcoolistas; 50% mais alta para fumantes; mas 70% mais alta para pessoas com pouca interação social.

2 – A boa e velha empatia

Testes que avaliam atividades cerebrais já revelaram que, quando um funcionário diz que seu chefe não demonstra empatia ou gentileza, seu cérebro ativa regiões específicas, associadas com o sentimento de aversão e negatividade. Colocar-se no lugar do outro e, dessa maneira, entender as limitações, as expectativas e os anseios dos funcionários é, portanto, uma boa atitude.

3 – É importante ajudar

Às vezes, um funcionário precisa da ajuda do chefe e, quando solicita essa ajuda, simplesmente não a recebe ou ela é dada de maneira insuficiente. As chances de esse funcionário permanecer fiel ao chefe? Baixíssimas, é claro.

Um estudo realizado por Jonathan Haidt, da Universidade de Nova York, conseguiu comprovar que, quando os líderes de uma empresa agem de forma justa, ajudam seus funcionários e pedem ajuda, o ambiente de trabalho fica mais harmonioso, no sentido de que os trabalhadores serão mais amigáveis uns com os outros, oferecendo auxílio também e, por consequência, aumentando a produtividade.

4 – Feedback

Um bom líder é aquele que não apenas dá um retorno aos seus funcionários, mas pede para ser avaliado com sinceridade. Esse líder sabe que tem defeitos, mesmo que realize seu trabalho da melhor forma possível, por isso aceita receber críticas construtivas.

Aqui entra muito a questão do ego, é claro, afinal não é todo mundo que lida bem com críticas, assim como não são todas as pessoas que conseguem fazer críticas sem se sentirem desconfortáveis. A verdade é que, partindo do princípio básico e verdadeiro de que nunca seremos perfeitos, podemos nos sentir livres para admitir nossos pontos fracos e, a partir daí, trabalhar para melhorar a situação.

Amy Edmondson, de Harvard, conseguiu comprovar que a humildade no ambiente empresarial sempre provoca melhoras quando o assunto é produtividade. Líderes que dão voz à equipe que coordenam costumam colher excelentes resultados.

Esse tipo de diálogo entre chefe e subordinados nada mais é do que o princípio básico de trabalho em equipe, que tem sempre resultados positivos, ao contrário da cultura empresarial da pressão e do medo. Além do mais, da mesma forma que um ambiente ruim de trabalho causa danos à saúde do funcionário, um ambiente positivo tem efeitos benéficos nesse sentido. É ou não é uma boa ideia começar a compartilhar esse tipo de informação?

*Publicado em 09/12/2015

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