Não pense você que foram apenas os dinossauros ou os nossos antepassados que deixaram pistas de sua passagem pelo nosso planeta. A vida começou a surgir na Terra muito antes dos grandes répteis (ou nós, humanos) estabelecerem seu reinado por aqui — e sabemos disso graças a uma infinidade de fósseis que já foram descobertos mundo afora.

Pois Mindy Weisberger, do portal Live Science, reuniu uma série de exemplos de fósseis especialmente curiosos em uma interessante lista — e nós aqui do Mega Curioso selecionamos 5 deles para você conferir:

1 – O mais antigo de que se tem notícia

Recentemente, um grupo de cientistas trabalhando na Groelândia tropeçou com o que eles acreditam ser o fóssil mais antigo de que se tem notícia até agora. Mais precisamente, a equipe descobriu o que você pode ver na imagem a seguir — basicamente, camadas de estruturas criadas por micróbios há 3,7 bilhões de anos! Veja:

Você consegue ver as camadas ali?

As camadas acima foram descobertas preservadas em rochas metamórficas que os pesquisadores acreditam que foram submetidas a uma enorme quantidade de pressão e calor. Isso significa que os fósseis ainda terão que passar pelo crivo da comunidade científica — que tentará comprovar que os estratos realmente são resultado de processos orgânicos.

Caso fique provado que as camadas foram de fato produzidas pela ação de micróbios — e não por processos geológicos —, a descoberta faz com que a data do surgimento das primeiras formas de vida na Terra retroceda em aproximadamente 220 milhões de anos.

2 – Os predadores mais antigos

Repare nos pequenos furinhos que parecem perfurar o fóssil da imagem abaixo. Na verdade, em vez de “pequenos”, eles são minúsculos, já que se encontram em uma espécie de cápsula fossilizada microscópica! As cápsulas em questão foram descobertas no Grand Cânion, nos EUA, e serviam para abrigar organismos unicelulares. Já os buraquinhos...

Furinhos feitos por um "vampiro" pré-histórico

Os cientistas acreditam que os furinhos foram feitos por um predador (também minúsculo) em busca de alimento. O fóssil conta com 750 milhões de anos, e representa a evidência de comportamento predatório mais antigo já descoberto no mundo. O tipo de ataque foi descrito como parecido ao de um “vampiro”, e é semelhante ao observado em determinadas amebas que existem até hoje — e que podem ser descendentes desse antigo predador.

3 – O sistema nervoso mais antigo

O sistema nervoso mais antigo, detalhado e bem preservado já encontrado no mundo foi descoberto em uma região do que hoje corresponde ao sul da China, e pertenceu a um artrópode chamado Chengjiangocaris kunmingensis que viveu na Terra há 520 milhões de anos. Confira o fóssil a seguir:

Repare nos segmentos que percorrem o corpo da criatura

O C. kunmingensis, como você viu, era um animal bem parecido a um camarão e, se você olhar a imagem acima com atenção, vai perceber que há uma espécie de cordão percorrendo todo o seu corpo. E o exemplar se encontrava tão extraordinariamente bem preservado que os cientistas inclusive foram capazes de identificar tecidos e estruturas nervosas individuais distribuídas de uma ponta a outra da criatura.

4 – O cérebro “vertebrado” mais antigo

Enquanto o sistema nervoso mais antigo já descoberto soma 520 milhões de anos, o cérebro de um animal dotado de coluna vertebral mais velho do mundo pertence a um peixe esquisitão que viveu no nosso planeta há 300 milhões de anos. De uma olhadinha no bicho a seguir:

Esse era o peixe estranho

O animal acima — da espécie Sibyrhynchus denisoni — é “parente” dos atuais peixes que compõem a família dos tubarões, e a descoberta de seu cérebro fossilizado foi realmente um achado. Isso porque, além de ser incrivelmente raro que órgãos fossilizados sejam encontrados, especialmente o cérebro, que é superdelicado, o exemplar em questão media míseros 7 milímetros.

Esse foi o crânio analisado

O cérebro foi reconstruído tridimensionalmente a partir de imagens obtidas através de uma tomografia computadorizada. Até a descoberta desse exemplar fossilizado, os cientistas estudavam os cérebros de animais pré-históricos por meio das ranhuras e sinais que esses órgãos deixavam em seus crânios.

5 – Pegadas reveladoras

Assim como os cientistas forenses são capazes de descobrir uma enorme quantidade de informações a partir de pegadas deixadas na cena de um crime, os paleontólogos conseguiram decifrar uma porção de mistérios sobre um dos nossos — possíveis — antepassados estudando uma série de impressões encontradas no Quênia em 2009. Confira:

Pegada produzida por um Homo erectus

A “pisada” acima faz parte de uma série de pegadas deixadas há 1,5 milhão de anos por indivíduos que pertenciam à linhagem Homo erectus, e os cientistas descobriram, por exemplo, que esses antigos hominídeos tinham pés dotados de arco pronunciado, dedões que ficavam paralelos aos demais dedos e calcanhares arredondados — ou seja, apesar de mais rudimentares, eles possuíam pés semelhantes aos nossos.

As análises das pegadas ainda revelaram que elas foram criadas enquanto os hominídeosestavam caminhando — e que esses rastros são idênticos aos que nós deixamos com as nossas pisadas! Além disso, segundo os cientistas, a maneira como as pegadas se agrupam sugere que os indivíduos do sexo masculino costumavam se reunir, indicando a existência de alguma forma de comportamento social específico dos “rapazes” do grupo.