Nesta semana, a UNESCO pediu a inclusão de 23 lugares na Rede Mundial de Biosfera, que cuida de áreas de proteção do ecossistema terrestre, marinho e costeiro ao redor do mundo. A ideia é que esses lugares criem formas de usar os recursos naturais de forma sustentável, a fim de preservar a biodiversidade. Normalmente, são os governos dos países que fazem as indicações, e na lista estão incluídos lugares como a Reserva Moen, na Dinamarca, e a Reserva da Floresta de Majang, na Etiópia.

Em contrapartida a essa decisão, os Estados Unidos resolveram retirar dessa lista 17 de seus 47 lugares protegidos pela UNESCO. Entre eles estão reservas naturais que vão da Califórnia até o Alasca e florestas que cobrem os estados da Flórida e Montana. Segundo comunicado, os 17 sítios de preservação pediram voluntariamente a retirada da lista, explicando que podem voltar a fazer parte desse rol no futuro.

Florestas do Alaska não estão mais na lista da UNESCO a serem preservadas

Entretanto, essa não deixa de ser uma decisão inusitada. Qualquer governo pode pedir a retirada desse selo de proteção ambiental a qualquer momento; porém, em 20 anos de existência, apenas 18 lugares de 7 países tinham feito essa escolha. Os EUA retirarem 17 de uma só vez pode ser mais um indício de que proteger o meio ambiente não está entre as prioridades do presidente Donald Trump, que já havia retirado o país do Acordo de Paris, que visa justamente à redução das emissões de gás carbônico em uma tentativa de combater o aquecimento global.

“Uma grande – e quase desconcertante – variedade de acusações foi dita sobre as reservas de biosfera. Muitas dessas acusações giram em torno de um medo e uma desconfiança das Nações Unidas. Essa categoria de objeções inclui reivindicações como as Nações Unidas estão prestes a invadir os Estados Unidos, confiscando terras americanas, impondo algum tipo de ‘nova ordem mundial’ sobre os cidadãos daqui e assim por diante. Não há nenhuma verdade a respeito dessas acusações”, explicou a Sociedade George Wright, uma ONG de conservação ambiental.

A declaração da ONG é uma resposta à ideia de que a ONU estaria cerceando o direito de propriedade dos Estados Unidos. Essa é uma vertente de pensamento que se iniciou nos anos 1990 e que tem raízes no imaginário popular e científico até os dias de hoje. Das reservas de biosfera que permanecem protegidas pela UNESCO, ao menos outras 10 estão reavaliando se continuarão a fazer parte dessa lista.

A Reserva Savegre, na Costa Rica, foi uma das incluídas nesta semana pela UNESCO na lista que protege a biodiversidade

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