Quanto um vendedor de sucatas americano comprou o objeto em uma espécie de mercado das pulgas, ele não imaginava que tinha acabado de se tornar o dono que um ovo Fabergé – um artefato raro e estimado da época da Rússia czarista – avaliado em 20 milhões de dólares, o que corresponde a pouco mais de 45 milhões de reais.

Os registros apontam que o ovo de oito centímetros de altura foi retirado de São Petersburgo após a revolução bolchevique de 1917 e ficou desaparecido por décadas nos Estados Unidos. De acordo com a Reuters, o homem que não foi identificado estava procurando peças das quais poderiam retirar ouro e comprou o objeto por 14 mil dólares na esperança de revendê-lo.

Essa imagem de 1902 mostra o ovo Fabergé que acaba de ser encontrado entre os tesouros de Maria Feodorovna. Fonte da imagem: Reprodução/Wartski

Para sua sorte, ninguém se interessou pelo ovo, pois todos os possíveis compradores acharam que o homem estava cobrando um valor abusivo pela peça. Desesperado, o dono do artefato foi procurar mais detalhes na internet e descobriu que tinha em mãos o ovo que o Czar Alexandre III havia dado de presente à sua esposa Maria Feodorovna em 1887.

Foi então que ele decidiu conferir com especialistas se a peça era original. “Sua boca estava seca de medo – ele não conseguia falar. O homem de jeans, tênis e camisa xadrez me entregou fotos do ovo imperial perdido. Eu sabia que era genuíno”, declarou Kieran McCarthy, diretor do antiquário Wartski.

Sem acreditar no tesouro que havia encontrado, o homem consentiu em deixar que a peça fosse analisada pessoalmente. Assim que sua autenticidade ficou comprovada, o ovo Fabergé foi vendido para um colecionador particular que também não quis se identificar. O diretor do antiquário não informou o valor da negociação, mas disse que o comprador não era russo.

Fonte da imagem: Reprodução/Wartski

Como Carl Fabergé produziu apenas 50 ovos imperiais para os czares entre 1885 e 1916, a descoberta de um dos ovos perdidos depois de tantos anos é fascinante. Por isso, a agência de notícias Reuters tentou apurar os fatos para checar a credibilidade da história, mas não conseguiu confirmar os fatos sem o nome dos envolvidos. Sobre isso, McCarthy declarou:

“Somos comerciantes de antiguidades, então duvidamos de tudo, mas essa história é tão maravilhosa que não pode ter sido inventada – vai além da ficção e na história das negociações de antiguidades, não há nada parecido com isso”.