A NASA já anunciou que é improvável que a humanidade esteja no Universo, explicando, inclusive, que nunca estivemos tão perto de detectar formas de vida alienígena. Tanto que boa parte da comunidade científica aposta que a descoberta se dará dentro de alguns anos na forma de micróbios — embora existam estudos que propõem a possível aparência que esses seres podem ter no caso de que sejam criaturas complexas.

É claro que, quando a confirmação de que não estamos sozinhos no cosmos acontecer, teremos milhões de perguntas a respeito dos ETs — e uma delas certamente será sobre sua capacidade de se multiplicar. Seriam os alienígenas seres assexuados ou, quem sabe, criaturas que acasalam alegremente para produzir descendentes? Saiba que a forma como a reprodução sexual evoluiu no nosso planeta pode dar algumas pistas sobre essa questão.

Rala e rola galáctico

De acordo com Stephanie Pappas, do portal Live Science, a reprodução por meio do sexo, pelo menos aqui na Terra, não é uma atividade tão simples como parece. Primeiro porque, segundo explicou Sally Otto — diretora do Centro de Pesquisa em Biodiversidade da Universidade da Columbia Britânica —, ela requer que um par seja encontrado e que ele se disponha a mesclar o seu DNA com o do parceiro.

Além disso, o ato ainda envolve o risco de contração de doenças sexualmente transmissíveis e a exposição a possíveis predadores. O pior é que nem sempre os encontros resultam na concepção de descendentes viáveis, já que não é toda a combinação genética do DNA do pai e da mãe que funciona.

No entanto, segundo Sally, apesar das dificuldades, a reprodução sexual é incrivelmente comum no nosso planeta e, observando a forma como ela evoluiu ao longo de milhões e milhões de anos, é possível que, se existirem formas de vida extraterrestre por aí, elas também tenham encontros sexuais.

Evolução terráquea

Considerando que um dia a existência de vida alienígena seja confirmada, um bom ponto de partida para determinar se essas criaturas se entregam ou não ao “rara e rola” seria avaliar sua estrutura celular. Conforme explicou Sally, é possível que a reprodução por meio do acasalamento tenha surgido aqui na Terra a partir da evolução dos organismos eucariontes — cujas células contam com um núcleo envolto por uma membrana que protege o DNA.

Amebas no ato!

Como você sabe, nem todos os seres vivos que habitam o nosso planeta se reproduzem através do sexo. Vários invertebrados e criaturas como amebas, fungos e algumas espécies de hidra de água doce procriam sozinhos, e existem criaturas complexas — entre elas as cobras píton, os tubarões-martelo e os dragões-de-Komodo — que podem dar à luz sem que ocorra o acasalamento.

Contudo, se tratando de um mundo em constante mudança, a mescla e incorporação de novas informações genéticas permite que os seres vivos, sejam eles uni ou pluricelulares, evoluam e se adaptem melhor ao ambiente. Nesse sentido, recentemente cientistas descobriram que as amebas se reproduzem sexualmente, e as bactérias (que são procariontes e, portanto, não têm membrana delimitando seu DNA) encontraram formas de integrar novos genes.

As bactérias, conforme descobriram os pesquisadores, não acasalam, mas aumentam sua diversidade genética (e as chances de sobrevivência) após serem infectadas por vírus, depois de “engolir” outras bactérias ou, ainda, como resultado da absorção de plasmídeos — que são moléculas duplas de DNA que podem se replicar de forma independente do DNA cromossômico.

Possibilidades

Segundo Sally, a não ser que os aliens habitem um planeta com condições climáticas e ambientais extremamente constantes, eles se beneficiariam da reprodução sexual. No entanto, quem garante que essas formas de vida não praticam o acasalamento só quando se faz necessário — como ocorre com os pulgões?

Bactérias, bactérias...

Esses bichinhos produzem clones de si mesmos quando existe abundância de alimentos, o que torna o processo de reprodução mais rápido, voltando a se multiplicar por meio do acasalamento quando as condições são menos propícias. Algumas espécies de pulgas-de-água (da ordem Cladocera) também mostram esse comportamento, e Sally especula que a ação de parasitas alienígenas pode levar os ETs a fazer o mesmo.

Conforme disse, diversos estudos apontaram que os organismos vivos costumam optar pela reprodução sexual quando existe algum tipo de ameaça no ambiente, já que, dessa forma, as criaturas se armariam geneticamente para enfrentar e sobreviver às adversidades.

E seria... caliente?

Como dissemos no início da matéria, a aposta mais aceita é que as primeiras formas de vida alienígena que encontrarmos serão microrganismos. Sendo assim, Sally deduz que seus encontros — caso sejam sexuais — podem não ser, digamos... Muito libidinosos.

Alguns fungos, por exemplo, desenvolvem protuberâncias que são usadas para que eles se fundam e acasalem, enquanto as amebas criam aglomerados de material genético que são recombinados com os de outras amebas. Já os vermes da espécie C. elegans — que são hermafroditas — se encontram, contorcem seus corpos até que um encontra uma abertura no outro e inserem uma estrutura chamada espícula para liberar o esperma.

Por outro lado, se os aliens forem formas de vida complexas, também existem vários exemplos no nosso planeta de rituais de acasalamento pra lá de esquisitos! Sally mencionou os marsupiais do gênero Antechinus, que podem copular até a morte durante 14 horas seguidas, e também o caso das hienas, cujas fêmeas contam com clitóris maiores do que os pênis dos machos — e são elas quem controlam toda a ação.

Em outras palavras, tomando por base o que Sally expôs sobre a reprodução sexual e sua evolução aqui na Terra, é possível pensar em algumas possibilidades mais ou menos viáveis. Mas tudo não passa de especulação, e o “método” escolhido pelos ETs pode ser ainda mais surpreendente do que os que existem aqui no nosso planeta.

*Publicado em 09/11/2015