Você tem ideia de quão gelado é o nitrogênio líquido? Caso você não saiba, a temperatura dessa substância é de cerca de –196 °C, ou seja, bem abaixo das temperaturas que a maioria dos seres vivos é capaz de suportar. Nos seres humanos mesmo, a morte pode ser declarada quando os órgãos internos marcam 23 °C, isso sem falar que, conforme a temperatura cai, a água no interior das células congela e se expande, provocando sua ruptura e, portanto, a morte.

Mas, voltando ao tema do nitrogênio líquido, até onde se sabe apenas duas criaturas foram capazes de permanecer vivas durante algum tempo imersas nessa substância — as tardigradas e a larva de uma espécie específica de drosófila —, embora nenhuma tenha conseguido sobreviver por mais de uma hora. Pois, de acordo com site PopSci, um estudo revelou que a sanguessuga Ozobranchus jantseanus bateu todos os recordes conhecidos.

Teste extremo

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Segundo a publicação, a O. jantseanus se manteve viva durante incríveis 24 horas imersa em nitrogênio líquido. Mais surpreendente ainda, os cientistas descobriram que essas sanguessugas são capazes de permanecer vivas entre 9 e 32 meses em temperaturas de –90 °C, que ficam abaixo da temperatura mais baixa que ocorre naturalmente na Terra.

Além disso, as sanguessugas não precisam de nenhum tempo para se aclimatar, como ocorre com outros animais tolerantes ao frio. Aliás, elas não sofrem qualquer dano ao serem expostas rapidamente a baixíssimas temperaturas e reaquecidas novamente, tanto que durante o estudo as O. jantseanus foram submetidas a esse “esfria-esquenta-esfria” 12 vezes durante o período de 2 minutos e saíram do teste ilesas.

Resistência

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O mais curioso é que as O. jantseanus são parasitas de tartarugas de água doce nativas do leste asiático, o que significa que elas normalmente não enfrentam temperaturas extremas no ambiente no qual habitam. Contudo, não pense que toda essa demonstração de resistência serviu apenas para que as sanguessugas batessem recordes!

Embora os pesquisadores ainda não compreendam como é que as criaturas desenvolveram essa incrível habilidade para se adaptarem a temperaturas extremas, eles acreditam que desvendar esse mistério pode ajudar na criação de novas técnicas de criopreservação.