Autoridades peruanas e bolivianas estão tentando achar uma maneira de conter a acelerada morte coletiva das rãs-do-titicaca — espécie endêmica do lago andino, descoberta em 1969 pelo oceanógrafo francês Jacques Cousteau. Funcionários do serviço de proteção ambiental do Peru afirmaram que 10 mil rãs foram encontradas flutuando sem vida sob a superfície e na beira do lago.

Embora a causa da morte repentina dos anfíbios não tenha sido confirmada, especula-se que seja em decorrência da poluição. O lago Titicaca, pertencente ao Peru e a Bolívia e considerado o mais alto do mundo por estar a cerca de 4 mil metros acima do nível do mar, tem recebido nos últimos anos cada vez dejetos oriundos das cidades dos seus arredores.

A maior parte desses resíduos é trazida através de um rio de El Alto — cidade da Grande La Paz, que experimentou um rápido crescimento populacional nos últimos anos. Setenta por cento das 130 fábricas da localidade operam ilegalmente e não são fiscalizadas pelas autoridades bolivianas.

A rã-do-titicaca, cujo nome científico é Telmatobius culeus, foi declarada oficialmente ameaçada de extinção em 1996. Ela é conhecida pelo seu hábito aquático e pelo seu excesso de pele, que a ajuda a respirar na alta altitude em que se encontra. De acordo com a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), a sua população diminuiu 80% em apenas 15 anos. 

A dizimação da espécie afeta também os povos tradicionais que habitam as margens do Titicaca: ela não apenas está na base da sua alimentação, como também ajuda a complementar a renda da população local através da pesca.