Depois que a Califórnia foi pioneira em legalizar o uso medicinal de maconha em 1996, mais 19 estados americanos liberaram o uso da erva. Coincidentemente, junto com a liberação da maconha em diferentes partes do país, aumentou também o número de casos de cães intoxicados.

Para checar se a situação era real ou não passava de uma simples coincidência, uma equipe de veterinários decidiu investigar a relação entre o uso medicinal de maconha e a intoxicação de animais domésticos. Depois de passar cinco anos (entre 2005 e 2010) coletando dados, os pesquisadores concluíram que, em geral, o número de casos de animais que são levados às pressas ao veterinário por causa da maconha quadruplicou.

Entre os sintomas, os animais que ingerem a erva acidentalmente costumam perder a coordenação motora, apresentam pupilas dilatadas, cansaço, tremores e podem ter alterações no ritmo cardíaco. Os sinais começam a aparecer entre 30 e 60 minutos após a ingestão e, dependendo da quantidade consumida, podem se recuperar naturalmente ou necessitar de acompanhamento médico.

Um problema crescente

Para chegar a essas conclusões, os veterinários analisaram 125 cães que passaram por centros veterinários em diferentes estados americanos e foram diagnosticados com intoxicação por ingestão de maconha. Desses, dois cães acabaram morrendo por causa dos efeitos da erva.

Teresa Watanabe, colunista do Los Angeles Times, relatou em setembro deste ano o caso que vivenciou com um de seus cães. Felizmente, Monte, o cãozinho intoxicado, foi tratado e se recuperou bem, mas foi no consultório que a colunista entendeu a dimensão do problema.

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Leia Castaneda, veterinária do San Gabriel Valley Emergency Pet Clinic, na Califórnia, disse que começou a notar o aumento nos casos em 2007. A grande maioria envolvia cães – mas também houve ocorrências com gatos – que comeram cigarros e bitucas descartadas, lamberam restos de cachimbos ou mesmo consumiram alimentos misturados com a erva.

Para garantir a saúde de Monte, Teresa precisou passar a noite no hospital veterinário e desembolsar 730 dólares (ou seja, mais de 1.600 reais) com exames, testes de laboratório, radiografias, análises toxicológicas, cateteres, remédios e hospitalização.

Logicamente, não são todas as famílias americanas que podem abrir mão de uma quantia dessas para tratar adequadamente seu animalzinho. Nesses casos, a recomendação de acordo com a BBC Brasil é deixar o cão em um local pouco iluminado e acompanhar os efeitos até que passem completamente.

Um alerta geral

Como a curiosidade dos bichinhos fala mais alto, a veterinária pede que os donos de animais guardem bem a maconha que tiverem em casa para evitar que eles cheguem facilmente até ela.

Ainda, quando houver a desconfiança de que o animal realmente possa ter ingerido a erva, a melhor alternativa é contar aos médicos para que as devidas providências possam ser tomadas com mais rapidez: “Nós não somos a polícia. Nós estamos aqui para ajudar os animais”, finaliza Castaneda.