Desde o ano passado, algumas regiões dos Estados Unidos vêm sofrendo com o crescimento da população das formigas invasivas da espécie Nylanderia fulva. Nativas do Brasil e da Argentina, as formigas receberam o nome de “Raspberry crazy ants” nos Estados Unidos, em referência a Tom Raspberry, que foi quem descobriu o problema em 2002.

Além de causar prejuízos por causa do ataque a aparelhos eletrônicos, essa espécie está interferindo diretamente no ecossistema da região. Isso fez com que Ed LeBrun e sua equipe da Universidade do Texas começassem a estudar a espécie na tentativa de combatê-la.

A descoberta mais recente – que foi divulgada no site da instituição – é que as formigas brasileiras podem ser a primeira espécie a conseguir neutralizar o veneno de outra espécie. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão depois de analisar a interação das N. fulva com as formigas-de-fogo (Solenopsis sp.), uma espécie dominante da região por seu veneno letal.

Ácido fórmico

Ao analisar o comportamento das formigas, os pesquisadores observaram que, depois de entrar em contato com uma formiga-de-fogo, os exemplares de N. fulva secretavam ácido fórmico através de uma glândula que fica na ponta do seu abdômen, transferiam a substância até a boca e espalhavam em todo o corpo, como podemos ver no vídeo acima.

Para testar a efetividade do ácido fórmico, os pesquisadores bloquearam as glândulas das formigas com esmalte e as colocaram em contato com a espécie venenosa. Sem poder aplicar a substância no corpo, cerca de 50% dos insetos morreram. Em um segundo experimento, as formigas que se desintoxicavam com o ácido fórmico tinham uma taxa de sobrevivência de 98%.

Os pesquisadores acreditam que essa capacidade seja o resultado de um longo processo evolutivo. Eles ainda não sabem explicar como o ácido fórmico neutraliza o veneno, mas acreditam que esse possa ser um recurso para que a substância letal não penetre no exoesqueleto da formiga.