Você provavelmente não deve ser um fã dos sapos e das rãs, mas temos de reconhecer que esses anfíbios realmente possuem algumas habilidades extraordinárias que não são encontradas em nenhum outro lugar na natureza. Tanto que muitos dos superpoderes que você verá logo abaixo estão contribuindo para o avanço da medicina nos mais inesperados aspectos. Confira:

9 – Megamorfina

Antes de caçar, os índios Matsés do Peru utilizam as secreções do sapo-folha encerado (Phyllomedusa sauvagii) para se sentirem "como deuses”. Este pequeno anfíbio pegajoso produz uma substância que é 40 vezes mais potente do que a morfina.

Mas, além de produzir o efeito potencializado da morfina, a substância não tem nenhum dos efeitos colaterais desagradáveis, como a respiração reprimida ou vício. Os pesquisadores estão tentando transformar essa secreção em uma droga segura que pode revolucionar a medicina.

8 – Superbexiga

Em 2010, pesquisadores australianos perceberam que os rastreadores de rádio que foram inseridos em sapos estavam sendo empurrados para fora do corpo deles de alguma forma. Após extensivos testes, eles descobriram que a bexiga de sapo engloba qualquer objeto estranho no corpo e o coloca para fora junto com a urina.

Para confirmar estes resultados bizarros, os pesquisadores implantaram pequenos grânulos esféricos nas cavidades corporais de cinco rãs australianas verdes (Litoria caerulea) e cinco sapos-cururu (Rhinella marina).

Em todos os cinco dos sapos-cururus, os grânulos chegaram às bexigas, e todas as rãs australianas expulsaram os pequenos objetos no prazo de 19 dias, em média. Os pesquisadores concluíram que um tecido cresceu a partir da bexiga e cercou os grânulos em apenas dois dias.

"Ficamos realmente surpresos ao ver que o tecido estava crescendo em torno dos grânulos implantados depois de apenas dois dias, que foi antes mesmo das cicatrizes cirúrgicas estarem completamente fechadas", disse o pesquisador Christopher Tracy, um ecologista fisiológico da Charles Darwin University, na Austrália, ao Live Science.

7 – Língua com superforça

O sapo com chifres da América do Sul (gênero Ceratophrys) também é conhecido como o sapo Pac-Man devido à sua enorme boca e ao seu apetite voraz. Eles comem qualquer coisa, incluindo insetos, roedores, cobras, outros sapos, lagartos e até pequenos pássaros.

Com a sua língua, o sapo com chifres agarra a presa e a leva velozmente à sua boca para devorá-la. Este é um feito bastante impressionante quando você considera o tamanho das criaturas que esse anfíbio engole.

Pensando nessa habilidade, alguns pesquisadores ficaram curiosos em saber o quão forte sua língua era e fizeram alguns testes. Os resultados mostraram que a sua “língua-tentáculo” pode gerar forças de 1,4 vez o seu próprio peso corporal. É como puxar uma vaca de 180 quilos para a sua boca. Um sapo particularmente mais corpulento poderia puxar até umas três vezes o seu próprio peso com a sua língua.

6 – Previsão de catástrofes

Alguns animais conseguem sentir os mais sutis sinais de que um tremor de terra está para acontecer, percebendo horas antes. Mas os sapos podem fazer isso com ainda mais eficiência. Os anfíbios podem sentir que um terremoto está chegando cinco dias antes de ele realmente acontecer.

Essa informação foi comprovada com mais afinco quando alguns pesquisadores na Itália estavam estudando uma população de sapos durante a época de acasalamento em seu habitat, em 2009. Em um momento durante os testes, todos os sapos fugiram e simplesmente desapareceram da colônia de reprodução onde estavam.

O tempo estava bom e nada visivelmente perturbava os animais. Eles fugiram sem motivo aparente. Porém, alguns dias mais tarde, um forte terremoto atingiu a região. Ninguém sabe exatamente como os sapos perceberam o que estava para acontecer, mas a NASA tinha uma teoria.

Antes de um terremoto atingir a pressão sob a superfície da Terra, ele cria mudanças químicas que liberam íons carregados positivamente. Estes podem causar dores de cabeça e náuseas em animais e humanos. Eles também podem reagir com a água criando peróxido de hidrogénio. É possível que os sapos tenham sentido as mudanças químicas na água, o que causou a fuga em massa do local de estudo.

5 – Supercola

O sapo Santa Cruz (Notaden bennettii) da Austrália produz a mais forte cola não tóxica do mundo. Esses animais vivem no subsolo durante nove meses do ano. Como eles vivem em um deserto, eles só vão à superfície quando chove. É também quando os insetos saem para o ataque.

Com essa substância pegajosa secretada sobre a pele do sapo, os insetos não podem picá-lo sem que fiquem grudados nela. Mais tarde, o sapo muda de pele e come todos os insetos que ficaram presos em sua carcaça antiga. Esta cola de secagem rápida pode ser a resposta a uma série de problemas para os cirurgiões.

Ao remover esse muco dos sapos, uma cirurgia no joelho (por exemplo) pode se tornar muito mais rápida e fácil. A maioria das colas não pode ser usada em nosso corpo porque são cheias de substâncias tóxicas, e todas as colas médicas não tóxicas são muito fracas. Mas descobriu-se que as secreções do sapo Santa Cruz não são tóxicas e são extremamente fortes. Ela também seca muito rapidamente, em cerca de 30 segundos, ao ar livre ou debaixo d'água.

4 – Substâncias curativas

A pele de algumas rãs e sapos é coberta de substâncias antibacterianas milagrosas que podem curar qualquer coisa, aparentemente. O sapo australiano de olho vermelho (Litoria chloris) produz peptídeos que são capazes de criar buracos no vírus HIV, causando a sua destruição.

Ele pode literalmente eliminar o HIV a partir de uma célula infectada. Já o sapo de patas amarelas da Califórnia (Rana boylii) está sendo avaliado pelo seu potencial na luta contra a MRSA, a superbactéria que continua a aterrorizar alguns hospitais.

Além disso, os pesquisadores também estão testando o muco das costas de sapos macaco de cera para combater o câncer. Esse animal produz uma substância especial que inibe o crescimento dos vasos sanguíneos. Os tumores de câncer precisam de novos vasos sanguíneos para continuar a crescer, e essa substância pode ajudar a privá-los dessa ação, impedindo-os de crescer fora de controle.

3 – Audição aguçadíssima

Os sapos da espécie Odorrana tormota têm uma audição tão aguçada que são capazes de sintonizar seus ouvidos para frequências específicas como nós sintonizamos uma estação de rádio. É o único animal no planeta que conhecemos que pode fazer isso.

A maioria de nós apenas ouve uma variedade de sons. Esse anfíbio pode escolher qual parte da frequência ele deseja ouvir. E eles são alguns dos pouquíssimos animais que podem se comunicar por ultrassom, que corta o barulho das cachoeiras e corredeiras ruidosas onde vivem próximos.

2 – Repelente natural

Os mosquitos podem matar mais pessoas por doenças transmitidas a cada ano do que qualquer outro animal na Terra. A cada ano, 725 mil pessoas morrem de doenças transmitidas por esses insetos.

Nenhum animal está a salvo de sua picada, exceto os sapos. Tudo porque eles secretam repelentes que os tornam praticamente imunes aos mosquitos, o que é ótimo para os anfíbios, pois eles compartilham muitos dos ambientes pantanosos úmidos que os mosquitos adoram.

Os pesquisadores já estão testando algumas fórmulas diferentes de repelentes de sapo para ver qual funciona melhor. Até agora, o suco de sapo não é tão eficaz quanto os repelentes químicos que usamos, mas é natural e melhor para o meio ambiente. O problema é que a substância é meio fedida, por isso precisará de mais pesquisa para ser transformada em algo utilizável pelos humanos.

1 – Bigode assassino

O sapo Emei (Leptobrachium boringii) tem um “bigode” cheio de espinhos que crescem durante a época de acasalamento e são compostos de queratina. Nesse período, os seus braços também aumentam, deixando-os mais fortes.

Com isso tudo, os sapos utilizam essas armas para lutar, mandando os seus concorrentes para longe para conseguir a fêmea e acasalar em paz. Quando a fêmea põe seus ovos, o macho é quem fica para vigiá-los.

E se um macho expulsa outro e já há ovos no ninho, ele vai cuidar desses da mesma forma, ainda que não faça sentido evolucionário cuidar dos “bacuris” de um rival, especialmente aquele que você acabou espancando horas antes.