Famosos por sua capacidade de mudar a cor, padronização e textura da sua pele para se misturar à paisagem e para mandar sinais uns ao outros, os polvos sempre intrigaram os cientistas por conta do fato de serem considerados incapazes de enxergar cores. Um novo estudo, no entanto, não somente pode explicar como eles conseguem identificar cores com precisão, mas também revelou fatos interessantes sobre a sua pele.

Publicada no Jornal de Biologia Experimental, a pesquisa revelou que o tecido mais externo desses inteligentes animais marinhos contém proteínas de pigmento que normalmente são encontradas em olhos, tornando sua pele responsiva à luz. Os cefalópodes conseguem mudar de cor graças a células especializadas chamadas cromatóforos, que ficam agrupadas aos milhares logo abaixo da epiderme.

Essas estruturas contêm pigmentos e são responsáveis por controlar como as diferentes cores se manifestam na pele, expandindo ou contraindo uma espécie de saco elástico que guarda grânulos pigmentados. Ao fazer biópsias de peles de polvos e lulas e expor as amostras a luzes com diferentes comprimentos de onda, os cientistas conseguiram provar que os cromatóforos reagem diretamente a estímulos luminosos.

Estruturas multitarefas

Ao notarem que as células se expandem mais ao serem submetidas à luz azul – a mesma que estimula mais as proteínas presentes nos olhos, chamadas de opsinas –, os pesquisadores resolveram fazer testes para descobrir se o tecido da pele dos animais continha traços dos genes responsáveis pela criação dessa proteína. Como resultado, descobriram que os neurônios sensoriais dos cefalópodes produzem o material necessário para a detecção de luz.

Dessa forma, os cientistas teorizam que, embora os olhos dos polvos só consigam distinguir entre cores claras e escuras, sem diferenciar tonalidades, é a sua pele que interpreta os tons certos para a camuflagem dos animais. Além disso, o estudo revelou que os cromatóforos se expressam em neurônios sensíveis a pressão mecânica, o que levanta a possibilidade das opsinas, que sempre foram associadas à visão, também ajudarem outros sentidos.

Essa última hipótese é suportada por pesquisas recentes que mostraram a presença dessa proteína nas antenas das moscas-das-frutas, onde detecta vibrações mecânicas e possui função crítica para a audição. Ainda não está claro se os cromatóforos dos polvos agem como sensores de luz, receptores mecânicos ou ambas as coisas, mas os biólogos responsáveis pelo estudo, Desmond Ramirez e Todd Oakley, planejam descobrir após mais experimentos.