Ao que parece, as músicas românticas como uma ambientação e preparação para o sexo não são uma escolha apenas humana. Embora a chamada “aranha-lobo” (Gladicosa gulosa) provavelmente não seja uma fã inveterada das dores de cotovelo do Narareth, a espécie também lança mão de um curioso “canto” quando se trata de promover o acasalamento.

De acordo com um estudo recentemente publicado no periódico científico Acoustical Society of America, o macho da Gladicosa gulosa produz vibrações em folhas para atrair fêmeas nas proximidades. Embora o recurso não seja tão incomum entre os aracnídeos, o “canto” da espécie representa um fenômeno bastante atípico, propagando-se também pelo ar.

Superfície amplificadora

De fato, o “ron-ron” é tão pronunciado que até pode ser registrado por um ouvido humano posicionado a uma distância razoável. Entretanto, a propagação depende exclusivamente da superfície em que o macho se encontra — mais audível no caso de uma folha, menos no caso de uma pedra de granito.

“É bastante sutil, mas é o que você poderia ouvir se estivesse em uma sala com uma aranha que estivesse cortejando”, disse o coautor da pesquisa e professor da Universidade de Cincinnati, George Uetz, em entrevista à New Scientist. “O som é de um nível que se torna perceptível para a audição humana a uma distância de aproximadamente 1 metro.”

Como a fêmea ouve?

Considerando-se que as aranhas não possuem órgãos propriamente destinados à audição, é provável que alguém se pergunte: “Como as fêmeas ouvem semelhante oferta de sexo?”. De fato, os pesquisadores também se fizeram essa pergunta. A resposta mais provável é que a superfície em que a fêmea se encontra (uma folha, tipicamente) passará a vibrar em ressonância com os sons emitidos pelo macho.

“Nós acreditamos que é dessa forma que ela consegue ‘ouvir’ o som”, disse Alexander Sweger, pesquisador da Universidade de Cincinnati que também assina a publicação. “As aranhas têm estruturas sensíveis ao longo de todo o corpo, para detectar vibrações, mesmo em volumes baixos, então nós trabalhamos com a hipótese de que elas detectam a vibração na superfície induzida pelo som que é [emitido pelo macho] e transmitido pelo ar”, ele conclui.