As diversas espécies conhecidas como aranhas voadoras são chamadas assim porque elas, após nascerem e se desenvolverem o suficiente para viverem por conta própria, sobem até um lugar alto, e em que haja uma corrente de ar, e começam a fiar uma teia. Quando o fio se torna longo o suficiente para ser levado pelo vento, elas saem voando atadas a ele, podendo viajar distâncias inacreditavelmente longas, técnica que é conhecida por balonismo.

No século 19, enquanto realizava a famosa expedição a bordo do navio HMS Beagle, o naturalista inglês Charles Darwin notou que aranhas caíam sobre a embarcação, mesmo enquanto essa velejava a quilômetros de distância de qualquer porção de terra. Pesquisadores da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, descobriram que as aranhas voadoras possuem outra habilidade além daquela que está em seus nomes.

Elas também são capazes de controlar seu deslocamento sobre a superfície da água, erguendo algumas de suas patas para controlar a direção em que se movem enquanto são impulsionadas pelo vento, conforme o vídeo acima. Além disso, algumas delas ainda usam suas teias como âncora, quando querem diminuir a velocidade, o que explica como exemplares desses animais já foram encontrados em ilhas remotas no meio do oceano.

Com as condições certas do vento, aranhas podem voar cerca de 30 quilômetros por dia, e caso caiam na água, ainda conseguem “velejar” até encontrar terra seca ou alguma outra forma de abrigo. O que quer dizer que basicamente não há lugar no mundo onde você fique completamente livre de ver uma aranha, nem mesmo se correr para as colinas.

A descoberta dessa habilidade tão incomum foi publicada recentemente no jornal científico BMC Evolutionary Biology. No fim do vídeo, uma das cientistas envolvidas na pesquisa conta que o próximo passo é descobrir se e como esses animais também sobrevivem enquanto estão sob a água.