O afeto que humanos e cães compartilham entre si pode ser tão grande que muitas pessoas não hesitariam em dizer que seus maiores amores são seus bichos de estimação. A ciência já comprovou que só a troca de olhares pode ser cativante ao ponto de fazer a relação ser comparada à de uma mãe com o seu bebê. Inclusive, amor entre donos e seus cães é o tema de um ensaio que já publicamos aqui no Mega Curioso e que você pode conferir clicando aqui.

Mas e se esse amor pelo bichinho for tão grande que leve alguém a cloná-lo para não sentir falta quando chegar o momento de ele partir? Sabe-se há algum tempo que a clonagem de animais é possível, e sobre a dos cachorros, em específico, já abordamos o caso polêmico de uma mulher que ganhou o direito a clonar um de seus animais em um concurso na Inglaterra.

Os veterinários americanos Paula e Phillip Dupont

Agora, o site NPR trouxe uma reportagem sobre um casal de veterinários americanos que, há alguns anos, resolveu desembolsar US$ 100 mil, cerca de R$ 390 mil na cotação atual, para clonar o seu amado cão. A questão, porém, mais do que mostrar a bonita relação do casal com o amado bicho de estimação, acende a luz para um debate ético em torno do tema. Confira a seguir como foi essa história.

Melvin, o cão superquerido 

O casal Phillip e Paula Dupont mora e mantém uma clínica veterinária na cidade de Lafayette, no estado americano da Louisiana. Foi lá que, durante anos, eles cultivaram o afeto e o amor pelo pequeno cão Melvin, um vira-lata que, quando nasceu, deveria ser um cão da raça Catahoula Cur, mas acabou se revelando uma mistura de outras raças impressionando o casal por sua inteligência e seu carisma.

No início, Phillip contou que não sabia o que fazer com o cão, afinal ele não veio da forma que eles planejavam. Entretanto, aos poucos Melvin conquistou os veterinários com suas peripécias e se tornou “o melhor cão que eles já tiveram”, segundo o próprio Phillip argumentou.

Entre as histórias passadas com o mascote, uma foi destacada no site NPR. Certa vez, quando o casal perdeu a chave do carro, Melvin a encontrou perdida no jardim. “Ele nos ouvia. Você poderia falar com ele e juraria que ele estava entendendo. Era estranho”, relatou Phillip Dupont.

A idade avançando e os clones

A ideia de clonar o adorado amigo partiu dos Dupont quando eles começaram a notar os traços da idade avançada do cachorro. Eles então contataram um laboratório na Coreia do Sul e enviaram células da pele de Melvin para que ele fosse clonado. Com os trabalhos dos cientistas, um primeiro filhote nasceu, mas logo acabou morrendo por algumas complicações da sua condição. Em uma segunda tentativa, dois filhotes vingaram com saúde e foram entregues aos Dupont.

Phillip com os clones Ken (esq.), Henry e o amado Melvin (dir.)

Foram pouco menos de dois anos até que Melvin viesse a falecer. O momento foi difícil para o casal, segundo contou Phillip, mas os novos cãezinhos, Ken e Henry, os ajudaram muito a superá-lo. Eles demonstraram personalidades muito parecidas com o original, e isso foi determinante para que a dor da perda diminuísse.

Os questionamentos do processo

Nem só de amores é composta a questão da clonagem de animais e, neste caso, dos cachorros. Vários aspectos reacendem o debate sobre isso, principalmente tudo o que pode acarretar e todos os animais envolvidos em um processo como esse. Por exemplo, são vários os cães que servem como doadores de óvulos, barriga de aluguel, entre outros.

O bioeticista da Universidade de Case Western, Insoo Hyun, lembra que é importante se atentar à saúde e ao bem-estar desses animais, já que eles serão submetidos a processos cirúrgicos. Além disso, muitas vezes o procedimento não dá certo, e vários espécimes podem ser perdidos só para se conseguir produzir um clone. “Na minha opinião, deve existir outras formas de gastar US$ 100 mil, caso você realmente se importe com os animais”, reprovou Hyun.

Os cães Ken e Henry, cópias genéticas de Melvin, deitados para comparação

Outro ponto que desperta um questionamento do processo é se ele realmente vale a pena ser feito, na medida em que o clone é apenas uma cópia genética do original. Ou seja, personalidade, modo de agir, truques, entre outras coisas somente serão moldados por fatores externos, como ambiente, adestramento e convivência de cada animal. Segundo Hyun, esses pontos nunca poderão ser replicados. Assim, é possível inclusive se decepcionar com as “novas versões” de seus animais, ao passo que eles podem não se comportar da forma esperada.

A defesa

Sobre a clínica sul-coreana que realiza a clonagem, a Sooam Biotech, os Dupont afirmaram que puderam verificar que todos os cães envolvidos no processo são muito bem tratados e instalados no local. Segundo eles, a equipe do laboratório informou que, após se recuperarem dos procedimentos, os animais são enviados para adoção. Segundo informou o site NPR, a empresa Sooam Biotech, quando contatada, não negou, mas também não confirmou essa informação.

Os Dupont com os clones Ken e Henry em momentos distintos

Já sobre os traços dos jovens cães, clones de Melvin, o casal admitiu que há pequenas diferenças. Fisicamente, é o peso, já que Henry é um pouco mais pesado que Ken, e este possui uma faixa branca menor na região do focinho. Fora isso, os dois aparentam ser saudáveis e lembram muito a personalidade do cão original.

Outro argumento usado por Phillip e Paula é que a sua intenção não é fazer vários clones. A ideia que sempre tiveram é poder reviver os momentos de um animal especial, o que alegam ser muito mais válido que aquelas pessoas que abandonam os filhotes gerados por seus animais não castrados. Isso faz com que, infelizmente, os abrigos continuem lotados de animais abandonados por donos irresponsáveis.

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E você, o que pensa sobre essa questão? Clonaria seu amado bicho de estimação se tivesse a oportunidade, mesmo tendo que gastar cerca de R$ 390 mil? E se o investimento fosse menor? Não deixe de compartilhar seus argumentos e sua opinião nos comentários!

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