Como se Stonehenge — aquele famoso círculo de pedras que existe na Inglaterra — não fosse intrigante o suficiente, recentemente um monumento com características semelhantes, mas muito maior do que o britânico, foi descoberto no Cazaquistão. De acordo com Owen Jarus, do portal Live Science, a enorme estrutura se encontra no litoral do Mar Cáspio e ocupa uma área de aproximadamente 300 acres, o que seria equivalente a 1,2 quilômetro quadrado!

Segundo Owen, o sítio foi descoberto por acaso por um homem que estava perambulando pela área com detector de metais em 2010. Na ocasião, o “caçador de tesouros” tropeçou com uma série de peças de uma sela de prata e outros artefatos curiosos e, por sorte, ele resolveu entrar em contato com um time de arqueólogos para que eles determinassem o que eram os objetos que ele havia encontrado.

Stonehenge cazaque

Intrigados, os arqueólogos foram até o local no qual as peças de prata haviam sido achadas para investigar, e foi então que eles se depararam com uma bela surpresa. No sítio existem inúmeras pedras de tamanhos diferentes — as menores medem 4 x 4 metros, enquanto as maiores 34 x 24 metros — inseridas no solo, e algumas delas trazem imagens de armas e animais talhadas em sua superfície.

O local foi descoberto por acaso em 2010

Com relação à sela de prata, ela também traz uma porção de gravuras, em alto-relevo, como javalis, veados, pássaros e, possivelmente, leões. Os arqueólogos dataram o monumento e os objetos encontrados em 1,5 mil anos e, por conta das características dos artefatos, eles acreditam que tanto as pedras como a sela sejam obra de algum povo nômade na época em que o Império Romano estava em declínio.

Contudo, os trabalhos tiveram que ser suspensos na área por conta da difícil situação socioeconômica na região — e as escavações só puderam ser iniciadas em 2014. Aliás, é por conta desse adiamento que as informações a respeito da descoberta começaram a circular só agora.

Possíveis construtores

De acordo com os especialistas, o complexo de pedras se encontra em uma área árida conhecida atualmente como Altÿnkazgan. Apesar de ainda não ser possível determinar com certeza quem foram os responsáveis pela construção do monumento — ou pela produção da sela —, a principal cultura presente na região há 1,5 mil anos era a huna.

Região onde se encontra o complexo

Entretanto, segundo os arqueólogos, vale lembrar que o avanço desse povo na área acabou forçando os grupos nômades que habitavam ali a procurar outros locais para fixar suas comunidades. Portanto, também existe a possibilidade de que o monumento tenha sido construído por alguma cultura misteriosa — antes de o local ser conquistado pelos hunos.

Sela de prata encontrada pelo "caçador de tesouros"

Durante as escavações, os arqueólogos também encontraram dois objetos de bronze que faziam parte de um chicote, mais peças da sela de prata e uma ossada humana — que ainda não foi datada — perto a uma das pedras do monumento.

Detalhe da sela

Ainda é cedo para afirmar que a sela pertenceu à pessoa cujos ossos foram encontrados —o corpo pode ter sido depositado no local séculos mais tarde —, mas os arqueólogos acreditam que, seja de quem for, as gravuras indicam que ela pertenceu a alguém consideravelmente poderoso e respeitado. Ademais, a presença da sela junto à estrutura de também indica que ela pode ter sido depositada ali como parte de um ritual, quem sabe um enterro.

Outro detalhe da sela

As escavações no complexo e as pesquisas sobre os artefatos encontrados continuam, e os arqueólogos pretendem publicar um novo estudo com suas novas descobertas em 2017. No entanto, considerando que o complexo se encontra em uma área imensa, é bem provável que os pesquisadores passem ainda muitos e muitos anos trabalhando por lá.