Atenção: este texto contém spoilers para quem não assistiu ao seriado “Vikings”, da emissora History — sendo assim, prossiga por sua própria conta e risco.

Agora, se você acompanhou todos os capítulos lançados até agora, certamente se chocou no 18º episódio da 4ª temporada, que, em determinado momento, retrata um grotesco método de tortura conhecido como Águia de Sangue (ou “Blood Eagle”, no original em inglês).

Antes de explicar esse ritual sinistro, vamos aos fatos. Embora tente ser fiel aos acontecimentos históricos, o seriado criado por Michael Hirst não consegue retratar com exatidão o que realmente rolou na Europa Setentrional lá nos tempos medievais — afinal, ninguém possui um material muito detalhado a respeito das explorações dos vikings pela Dinamarca e redondezas.

A morte do rei Ragnar Calças Peludas, por exemplo, é um mistério até hoje. Em uma das versões, ele faleceu por conta da cólera e por ferimentos durante uma tentativa de invadir Paris. Já a obra televisiva preferiu a edição mais dramática, defendendo que ele teria sido capturado pelo rei Aelle da Nortúmbria e jogado em um poço cheio de cobras venenosas. Não sabemos o que aconteceu de verdade, mas uma coisa é certa: Aelle se deu mal.

Enquanto os registros históricos se limitam a dizer que o rei foi morto “por nórdicos”, o seriado é bem específico: Aelle morreu pelas mãos dos filhos de Ragnar, que invadiram seu território em busca de vingança. Porém, crente de que um simples assassinato não seria o suficiente para compensar o trágico fim do líder dinamarquês, Biorno Braço de Ferro resolveu torturar o ditador de Nortúmbria com uma Águia de Sangue.

Uma morte nada tranquila

Tal ritual é tão sangrento que, até hoje, historiadores debatem se ele realmente existiu ou se foi apenas uma invenção que surgiu nas contações de histórias que se sucederam ao longo dos 400 ou 600 anos seguintes. De qualquer forma, na teoria, a prática era assim: primeiro, a vítima tinha seus pés e suas mãos imobilizados (por pregos ou cordas) para evitar movimentos bruscos, ficando deitada de barriga para baixo.

Em seguida, com o auxílio de uma lâmina, era feita uma incisão vertical em toda a extensão de suas costas. A pele era exposta, e as costelas eram separadas da coluna cervical; com isso, os pulmões também eram removidos da caixa torácica. As costelas erguidas assemelhavam-se a um par de asas — daí o nome pitoresco. Detalhe: tudo isso era feito com o torturado vivo e, preferencialmente, consciente.

Para terminar o processo, os nórdicos ainda jogavam sal nas costas abertas do pobre coitado, que, de acordo com as tradições religiosas, tinha que enfrentar todo esse processo sem gritar. Caso contrário, não poderia entrar em Valhala, palácio de Odin localizado em Asgard (o “paraíso” nórdico, a grosso modo). No seriado, Aelle ainda foi pendurado para servir de exemplo para quem resolvesse enfrentar os vikings.

É verdade ou não?

Embora a Águia de Sangue só tenha aparecido na obra no episódio em questão, alguns estudiosos acreditam que a tortura se repetiu mais algumas vezes durante as invasões e guerras nórdicas. Halfdan, filho do rei Haroldo V da Noruega; Máel Gualae, rei de Munster, e o arcebispo Aelheah também podem ter tido o mesmo destino de Aelle. Porém, como dissemos anteriormente, a falta de material histórico impede que saibamos com precisão o que aconteceu com tais personalidades.

Quem acredita na veracidade da Águia de Sangue argumenta que os poetas que escreveram a respeito desses episódios foram específicos e detalhados demais para terem inventado a prática. Além disso, existem duas teorias comumente aceitas a respeito da tortura. A primeira defende que ela era uma forma de sacrifício ao rei Odin; a segunda, que era apenas um rumor para aumentar o medo popular pelos vikings — afinal, você não ia querer se meter com uma turma tão cruel e impiedosa, não é mesmo?

***

Você conhece a newsletter do Mega Curioso? Semanalmente, produzimos um conteúdo exclusivo para os amantes das maiores curiosidades e bizarrices deste mundão afora! Cadastre seu email e não perca mais essa forma de mantermos contato!