Resultados de escavações realizadas nas ruínas da antiga cidade de Pompeia, soterrada em 79 d.C. pelas cinzas derivadas da erupção do Monte Vesúvio, indicam que a extinta população possuía conhecimentos além de questões de infraestrutura e comercial, sendo considerada uma importante província de movimentação entre mercadores que vinham de seus diversos portos. Dessa vez, as descobertas sugerem que os habitantes inventaram um avançado sistema de reciclagem, onde pilhas de lixo eram separadas para serem, posteriormente, reutilizadas.

Segundo informado pela professora Allison Emmerson, da Universidade de Cincinnati, uma das orientadoras que está à frente do projeto de escavação das ruínas, muros de lixo foram formados pela antiga população local, dentre fragmentos de materiais de artesanato, como gesso, e diversos resíduos de outras atividades locais, que passaram a ser utilizados como “bases de ciclos de uso e reutilização”.

As pilhas de materiais funcionavam como aterros modernos, onde o lixo circulava entre as imediações da cidade, sendo reutilizado diversas vezes em construções e como estruturas de base ou suporte para edificações. “Descobrimos que parte da cidade foi construída a partir do lixo”, disse Alison, em entrevista ao The Guardian. “As pilhas fora das paredes não eram material que tenha sido jogado fora para se livrar dele. Elas estavam fora dos limites da cidade sendo coletadas e classificadas para serem revendidas dentro dos muros”.

(Fonte: Rocío Espin/Reprodução)(Fonte: Rocío Espin/Reprodução)

Dessa forma, como a cidade preocupava-se bastante com a imagem e o desenvolvimento de seus projetos de urbanização, parte dos muros de resíduos eram cobertos com finas camadas de gesso, a fim de esconder o material e renovar a visão da província.

A análise do solo foi realizada através da observação de restos orgânicos, deixados pelo acúmulo de lixo em estações subterrâneas. “A diferença no solo nos permite ver se o lixo foi gerado no local onde foi encontrado, ou coletado de outro lugar para ser reutilizado e reciclado”, esclareceu a professora, lembrando que, após a erupção vulcânica que soterrou o local, um grupo de exploradores, em 1748, voltou a realizar escavações no local, encontrando um terreno altamente rico, preservado e, até mesmo, com restos de alimentos identificáveis.

Para os pesquisadores, o método de reciclagem desenvolvido pelos romanos é de extrema importância para os países modernos, refletindo a relevância de reutilizar os resíduos e de transformá-los ao invés de descarta-los.