Ainda que seu conhecimento sobre História da Arte seja mínimo, é bem provável que você já tenha pelo menos ouvido falar de Michelangelo. Pintor, escultor, arquiteto e poeta, esse artista cheio de talentos tinha outra forma de trabalho: a falsificação.

Quando era jovem, Michelangelo viu nas falsificações de antiguidades uma excelente forma de ganhar dinheiro – esse tipo de trabalho, segundo o Knowledge Nuts, era pelo menos 10 vezes mais rentável do que a pintura ou a escultura em si.

O historiador de arte Lynn Catterson afirma que Michelangelo reproduziu muitos trabalhos antigos e, segundo ele, é muito provável que existam diversas falsificações feitas por Michelangelo ainda desconhecidas, talvez expostas em galerias dedicadas a trabalhos romanos e gregos, como se fossem antiguidades.

Pietà

Naquela época, a falsificação de obras de arte era vista como uma expressão de talento, da mesma forma que era um jeito comum encontrado pelos jovens artistas que precisavam treinar e melhorar seus traços, pontos fortes e suas técnicas. Foi por meio da falsificação que Michelangelo solidificou sua própria carreira.

Malandro, Michelangelo chegava a emprestar desenhos originais para fazer cópia, e entregava a falsificação ao dono da obra, como se ela fosse a verdadeira. O trabalho dele era tão perfeito que ficava praticamente impossível descobrir qual material era o original e qual era o falsificado. Para envelhecer suas pinturas, ele utilizava fumaça.

Quando tinha apenas 21 anos, Michelangelo falsificou a escultura de mármore do Sono de Eros. Para completar o trabalho, ele enterrou a obra, para dar o tom envelhecido, assim como as marcas de arranhões e amassados. Com a ajuda de um vendedor de obras de arte, conseguiu vender a peça por um preço alto a um colecionador de antiguidades, Raffaele Riario.

Uma das pinturas de Michelangelo na Capela Sistina

Assim que descobriu que havia comprado uma obra falsificada pelo preço de uma original, Riario devolveu a escultura de Eros. A essa altura, Michelangelo já estava estabelecido como artista e fazia sucesso graças à obra Pietà, que mostra Maria segurando Jesus em seus braços. A peça de Eros acabou sendo revendida para outro colecionador.

A partir do final de 1800, esses trabalhos de falsificação começaram a ser vistos como imorais – até hoje há muitos falsificadores que trabalham reproduzindo réplicas de obras famosas porque seus trabalhos originais ainda não foram reconhecidos. O problema é que muitos especialistas em arte acabam falsificando os documentos das obras, o que deixa praticamente impossível detectar qual obra é original e qual não é.

Com medo de processos judiciais, muitos especialistas evitam opinar sobre a originalidade de algumas obras de arte, o que ajuda a manter algumas falsificações no mercado até hoje. E você, já sabia que Michelangelo tinha começado sua carreira copiando trabalhos de grandes artistas?