Você provavelmente nem ficou sabendo, mas, no dia 31 de outubro, um asteroide identificado pelo nome 2016 UR36 chegou relativamente próximo ao nosso planeta. A rocha espacial passou a pouco menos de 500 mil quilômetros da Terra, ou seja, o equivalente a 1,3 vezes a distância que existe entre nós e a Lua — e o mais legal disso tudo é que um sistema da NASA de detecção e alerta de aproximação de objetos potencialmente perigosos funcionou direitinho.

O programa de monitoramento ainda se encontra em desenvolvimento, mas permitiu que o pessoal da NASA detectasse o asteroide no dia 25 de outubro. Pode não parecer grande coisa, porém, vale destacar que os cinco ou seis dias de “aviso prévio” são muito melhores do que as meras horas de antecedência (ou a completa falta de conhecimento) de alerta de quando uma rocha espacial poderia nos acertar — que era o padrão até bem pouco tempo atrás.

Conheça o Scout

O programa da NASA foi batizado de “Scout” e seu funcionamento está baseado na análise dos dados coletados por diversos telescópios espaciais espalhados pelo mundo. Quando o sistema detecta um objeto espacial cuja trajetória passa próximo ao nosso planeta, o Scout estima o risco de impacto e passa a coletar mais informações sobre o corpo celeste em questão.

Os métodos de detecção e alerta estão melhorando

No caso do 2016 UR36, o sistema da NASA identificou que ele media entre 5 e 25 metros de uma ponta a outra e calculou que, apesar de se aproximar bastante de nós, ele passaria a uma distância relativamente confortável da Terra — descartando a possibilidade de impacto. Com isso, astrônomos de várias instituições e agências espaciais puderam acompanhar de perto a passagem do asteroide e fazer uma porção de estudos.

Para você entender melhor a importância do programa, segundo um astrônomo da NASA, quando um telescópio detecta um objeto espacial, tudo o que os cientistas têm de informação é que há um pontinho se movendo no céu. Eles não contam com dados como a distância exata na qual o corpo se encontra, por exemplo, e quanto mais telescópios estiverem apontados para o mesmo lugar, mais coisas podem ser descobertas, como seu tamanho e trajetória exata.

Imagem registrada durante o incidente de Chelyabinsk

Em 2008, por exemplo, o asteroide 2008 TC3 só foi detectado 19 horas antes de sua rota cruzar com a Terra, e o risco de impacto só foi determinado 12 horas antes de a rocha ser pulverizada em sua entrada na atmosfera sobre o Deserto da Núbia, no Sudão. Algum tempo depois, em 2013, um corpo celeste de 20 metros explodiu sobre a região de Chelyabinsk, na Rússia, e ninguém sequer desconfiou de sua aproximação.

Protegendo o planeta

Enquanto o Scout está focado na identificação e monitoramento de rochas celestes pequenas, a NASA ainda conta com outro programa de detecção e alerta focado em objetos maiores — com capacidade de destruir cidades inteiras. Chamado Sentry, esse sistema já se encontra em funcionamento, e a agência espacial espera poder catalogar pelo menos 90% dos asteroides com 140 metros ou mais que apresentem risco de colisão contra o nosso planeta.

Existem várias iniciativas em desenvolvimento para proteger o nosso planeta

Infelizmente, de momento, tanto o Scout como o Sentry só são capazes de nos alertar sobre a aproximação de asteroides potencialmente perigosos — e não podem fazer nada para evitar possíveis impactos, como explodir ou desviar as trajetórias desses pedregulhos espaciais. No entanto, a NASA já está quebrando a cabeça para resolver essa questão.

Existe uma missão em desenvolvimento em conjunto com diversas instituições — entre elas a Agência Espacial Europeia, o Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins e o Observatório de Côte d’Azur, na França — chamada AIDA (Asteroid Impact and Deflection Assessment) cujo objetivo é o de desviar asteroides em rota de colisão com a Terra.

A iniciativa se baseia em uma manobra que envolve o envio de uma espaçonave para colidir contra a rocha sinistra em questão e desviar ligeiramente a sua trajetória. A ideia é que, depois do “empurrão”, quando o asteroide se aproximar da Terra, a distância entre ele e o nosso planeta terá aumentado o suficiente para evitar qualquer desastre. A primeira missão de impacto está prevista para ser lançada em 2020.