Há qualquer coisa entre 200 e 400 bilhões de estrelas na nossa galáxia, a Via Láctea. E imaginamos que cada uma dessas estrelas contém, como o nosso Sol, planetas orbitando ao seu redor.

As teorias que explicam a formação dos planetas sugerem que esses corpos se formam na mesma explosão molecular que origina as estrelas. Enquanto a maior parte da massa se fixa no centro dando forma às estrelas, o restante se prende a um campo gravitacional e se transforma em planetas, satélites e asteroides.

Poderíamos acreditar que seria em um planeta desses, de trajetória definida, que encontraríamos algum sinal ou condição de vida. Pesquisas recentes mostram, porém, que há muitos mais planetas na nossa galáxia do que pensávamos, mas que a grande maioria deles vaga, na verdade, sem uma estrela-referente.

Planetas órfãos

Por muito tempo, os cientistas acreditavam que esses planetas livres eram formados durante a criação de sistemas solares, mas eram ejetados no espaço e passavam a orbitar o centro da galáxia, como uma estrela.

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Porém, observações recentes puderam determinar que planetas órfãos, sem estrela-mãe, podem se formar sozinhos a partir da condensação de uma nuvem de massa cósmica. É um processo semelhante àquele que origina os sistemas solares, mas em proporções menores e sem massa suficiente para produzir uma estrela.

A nuvem de massa se condensa em um planeta, que acaba vagando livremente pela galáxia. Hoje, pesquisadores acreditam que o número de planetas órfãos desse tipo pode ser maior do que a quantidade de estrelas na nossa galáxia.

A dificuldade de detectar esses corpos ocorre devido aos métodos de observação ainda utilizados, que em geral procuram perceber os efeitos de um planeta em relação à sua estrela. Um planeta pode ser identificado quando passa na frente da estrela e produz uma sombra, ou quando emite uma oscilação de seu campo gravitacional.

Sem rumo, sem rota... Mas com vida?

Os planetas órfãos, por não possuírem essa órbita definida, acabavam passando despercebidos dos estudos astronômicos até agora. Nos últimos anos, com o aprimoramento tecnológico, novos e grandes planetas sem órbita foram descobertos, aumentando a curiosidade e o estudo da comunidade científica por esses objetos.

Fonte da imagem: Reprodução/Sci Tech Daily

Há quem diga, inclusive, que mesmo sem uma fonte constante de energia estelar esses planetas poderiam abrigar algum tipo de vida. Oceanos subterrâneos poderiam manter uma temperatura em níveis adequados e, assim como na Terra, ecossistemas que não necessitem de luz solar constante poderiam surgir.

Além disso, há também a possibilidade de que um planeta vagando sem rumo se aproxime da Terra em distâncias muito menores do que outros corpos, de outras origens e outros sistemas solares jamais poderiam chegar.

Parece, no entanto, que quanto mais descobrimos sobre o espaço, mais percebemos que o conhecemos pouco, não é mesmo?