Se você vem acompanhando a nossa viagem pelo Sistema Solar, então sabe que nós aqui do Mega Curioso já falamos sobre Mercúrio, Saturno, Netuno, Júpiter e Urano. Pois hoje convidamos você a embarcar conosco até Vênus, um dos vizinhos mais próximos da Terra.

Irmãozinho

Mercúrio, Vênus, Terra e Marte

Além de ser o segundo planeta do Sistema Solar a partir do Sol, Vênus é o segundo objeto mais brilhante no céu noturno depois da Lua, e em dias bem claros também é possível vê-lo a olho nu. É muitas vezes chamado de irmão da Terra devido à sua semelhança em tamanho e massa com o nosso planeta, e existem apenas 638 quilômetros de diferença em diâmetro entre os dois.

A composição de Vênus também é muito semelhante à da Terra, e a órbita venusiana é a mais parecida com a terrestre quando comparada à de qualquer outro planeta do Sistema Solar. Assim como o nosso mundo, Vênus possui um núcleo metálico envolto por um manto de 3 mil quilômetros de rochas derretidas, coberto por uma crosta — composta principalmente por basalto — com espessura estimada entre 10 e 20 quilômetros, em média.

Além disso, as superfícies dos dois planetas são relativamente jovens, e ambos contam com gravidade e têm espessas atmosferas compostas por nuvens. No entanto, no caso de Vênus, essas nuvens são venenosas para os seres terráqueos e cheiram a ovo podre. E é aqui que acabam as semelhanças entre os dois planetas!

Ambiente venusiano

A superfície de Vênus fica escondida sob uma opaca camada de nuvens compostas pelo nada cheiroso ácido sulfúrico que evitam que ela seja vista do espaço. Além disso, sua atmosfera é bem densa e constituída por 96,5% dióxido de carbono — que não permite que o calor escape da superfície, provocando um efeito estufa extremo no planeta. Outros componentes de sua atmosfera são o nitrogênio, monóxido de carbono, hélio, água, argônio e dióxido de enxofre.

Esses fatores contribuem para que Vênus seja o planeta mais quente do Sistema Solar, e sua superfície apresenta temperaturas que rondam os 470 graus Célsius — suficientes para derreter chumbo! E como o planeta não tem inclinação em seu eixo, não existe variação sazonal por lá, ou seja, não há estações do ano venusianas.

A pressão atmosférica em Vênus é 92 vezes superior à da Terra, o que significa que os asteroides que entram pela atmosfera do planeta são esmagados contra a sua superfície. E só para que você tenha uma ideia do que ela representa, a pressão sofrida por um ser humano que resolvesse perambular por Vênus seria equivalente à percebida a um quilômetro de profundidade no oceano aqui na Terra.

Vizinho pouco acolhedor

Trânsito de Vênus diante do Sol

Vênus é extremamente seco e não existe água em sua forma líquida na superfície, e os cientistas calculam que apenas uma diminuta quantidade dela possa ser encontrada na atmosfera. Para piorar, embora aproximadamente dois terços do terreno venusiano sejam compostos por planícies, os astrônomos sabem que existem mais de 1.600 vulcões no planeta, e é provável que haja muitos outros — pequenos demais para serem observados.

A maioria dos vulcões possivelmente está dormente, mas os pesquisadores estimam que os que se encontram ativos variam entre 800 metros e 240 quilômetros de largura. Aliás, essa atividade vulcânica foi a responsável pela formação de longos canais — com mais de 5 mil quilômetros de extensão — criados por verdadeiros rios de lava no planeta.

Em Vênus também existem seis regiões montanhosas — que contabilizam pelo um terço restante do terreno —, sendo que a maior delas, conhecida como “Montes Maxwell”, conta com 870 quilômetros de extensão e mais de 11 quilômetros de altitude. Outras características únicas da superfície venusiana são as formações conhecidas como coronae, que são fraturas na forma de anéis que variam em tamanho entre 155 e 580 quilômetros de largura.

Essas estruturas provavelmente são provocadas quando o material — extremamente quente — sobre à superfície de Vênus e deforma o terreno. Mais formações únicas que existem em Vênus são as novae, que são sistemas de fraturas radiais em forma de estrela, e as aracnoides, que são fraturas cuja formação lembra as teias de aranha.

Planeta retrógrado

Vênus gira no sentido anti-horário — no que os astrônomos chamam de rotação retrógrada — e, se passássemos um dia inteiro por lá, veríamos o sol nascer no oeste e se por no leste. Os astrônomos especulam que a razão disso pode ter sido uma supercolisão de um asteroide ou outro objeto grande espacial no passado que alterou seu padrão rotacional.

Além disso, Vênus demora 243 dias terrestres para completar uma única rotação sobre o próprio eixo, e 225 para realizar uma volta inteira ao redor do Sol, o que significa que os dias no planeta são mais longos do que os seus anos. Contudo, como o planeta apresenta rotação retrógrada, o período de tempo entre um nascer do sol e outro no planeta equivale a aproximadamente 117 dias terrestres. Incrível, não é mesmo?

Aliás, devido a esse lento ritmo de rotação — um dos mais demorados de todo o Sistema Solar —, o núcleo metálico de Vênus não é capaz de produzir um campo magnético como ocorre aqui no nosso planeta.

Mais curiosidades:

  • Pitágoras foi o primeiro a perceber que a estrela mais brilhante no céu no entardecer e no amanhecer eram o mesmo objeto, e Vênus aparece em registros datados de 1.600 a.C., quando sua órbita já era acompanhada pelos antigos babilônios;
  • Ao contrário da maioria dos planetas do Sistema Solar, Vênus não possui satélites naturais;
  • Vênus foi batizado em homenagem à deusa romana do amor e da beleza — equivalente à Afrodite da mitologia grega — talvez por ser o planeta mais brilhante dos cinco conhecidos pelos astrônomos da antiguidade, e foi o único mundo do Sistema Solar a receber um nome feminino;

"O Nascimento de Vênus", de Botticelli

  • Falando de seu passado, por muito tempo nossos antepassados acreditaram que Vênus era duas estrelas diferentes — a da manhã e a da tarde — que em latim eram chamadas Vésper e Lúcifer;
  • Acredita-se que o planeta tenha sido um paraíso tropical em seu passado, mas, por alguma razão, seus oceanos evaporaram e a temperatura de Vênus começou a subir;

  • Devido à densa atmosfera, é impossível ver o que existe na superfície do planeta desde o espaço, e só foi possível medir e observar as duras condições do ambiente venusiano depois que o mapeamento por rádio foi desenvolvido na década de 60;
  • Caso você algum dia resolva passear por paragens venusianas, se prepare para encarar bons vendavais! Por lá, eles podem chegar a mais de 720 quilômetros por hora na atmosfera, o que significa que eles podem ser mais rápidos do que os tornados mais velozes da Terra.