Você sabia que formigas “vampiras” existem? Tanto que um grupo de pesquisadores da Academia de Ciências da Califórnia acabou de descobrir seis novas espécies com esse perfil em Madagascar, observando os seus hábitos. Elas são chamadas de formigas Drácula e fazem parte do gênero Mystrium.

Descritas no início dessa semana no periódico científico ZooKeys, elas parecem desafiar muitas das regras normais que os cientistas usam para classificar as formigas, como a hierarquia e reprodução.

"O gênero Mystrium é o grupo mais misterioso e bizarro dentro das formigas Drácula", disse em um comunicado Masashi Yoshimura, pesquisador da Academia de Ciências da Califórnia. Ele esclareceu que as formigas desse gênero eram difíceis de ser identificadas devido à notável variação dentro de cada espécie. As novas espécies incluem a Mystrium labirinto, Mystrium espelho e Mystrium sombra.

Por que vampiras?

Pode ficar tranquilo que as formigas vampiras não vão invadir o mundo sugando o sangue de todas as pessoas. Brincadeiras à parte, esses insetos recebem a definição de Drácula porque elas sugam o sangue (hemolinfa) de seus filhotes em um processo chamado de "canibalismo não destrutivo".

Os cientistas não sabem dizer exatamente porque elas fazem isso, mas vale destacar que as larvas não morrem com esses "ataques" e se desenvolvem normalmente.

Fonte da imagem: Reprodução/Alexander Wild

Dificuldades de classificação

Elas foram descobertas em um tronco podre de uma floresta em Madagascar há mais de uma década atrás. Mas durante anos, esses insetos estranhos confundiram os pesquisadores.

"O papel de um indivíduo em uma colônia nem sempre é óbvio pela sua aparência. Formigas que parecem semelhantes podem ser operárias menores em uma espécie, mas rainhas em outras espécies", disse Brian Fisher, um entomologista que fez parte da pesquisa.

Por exemplo, as operárias às vezes se tornam formigas rainhas, que podem ter asas curtas, inexistentes ou grandes, e as rainhas também podem ser menores do que as operárias. Além disso, o gênero tem três diferentes modos de reprodução, o que tornou a sua classificação ainda mais difícil.

Mistério resolvido

Depois de recolher e examinar milhares de formigas em Madagascar por duas décadas, Yoshimura e Fisher descobriram um método para distinguir essas novas espécies.

"A descoberta da divisão das fêmeas em formas maiores e menores foi a chave para resolver este quebra-cabeça complicado", explicou Yoshimura.

Os pesquisadores descobriram que todas as espécies Mystrium compartilham componentes originais comuns consistem em masculinos, grandes rainhas e operárias maiores e menores (que podem se desenvolver como reprodutoras e assumir a posição de rainha). Utilizando este novo quadro, os pesquisadores foram capazes de reclassificar várias espécies existentes e identificar seis completamente novas.