As Cataratas do Niágara são um vasto agrupamento de imensas cataratas que ficam localizadas na parte Leste da América do Norte, entre os Estados Unidos e o Canadá. Em média, a altura das cataratas é de 52 metros, sendo que 21 deles é apenas de queda livre, antes de cair sobre uma perigosa camada de rochas e pedregulhos – que foram depositados no local em 1954, após uma avalanche.

Corajosos ou malucos?

Até 2004, cerca de 16 pessoas documentaram a aventura de descer as quedas d'água das Cataratas do Niágara, mas apenas 11 delas sobreviveram. Para impedir que mais corajosos tentassem a sorte, as autoridades criaram uma lei que proíbe o ato, chamada de “descer sem permissão”. A multa é de US$ 10 mil (mais de R$ 22 mil), mas mesmo assim ainda existem muitos que pulam.

A heroína das Cataratas do Niágara

A primeira pessoa a descer as Cataratas do Niágara foi Annie Edson Taylor, em 24 de outubro de 1901. Com 63 anos, a professora aposentada construiu um barril impermeável e pulou junto com seu gato. Seu intuito era conseguir fama e dinheiro, portanto convocou diversos repórteres e tornou o evento público.

Além do gato, a senhora também levou uma bigorna para ajudar a se equilibrar durante a queda. Fora um corte na cabeça e o estado de choque, Annie saiu inteira da aventura, ganhou algum dinheiro, mas não muito reconhecimento – seu principal intuito era viajar pelo mundo dando palestras e narrando suas aventuras.

Infelizmente, ela morreu 20 anos depois sem nenhum dinheiro na Enfermaria Municipal do Condado de Niágara em Lockport, NY.

Ironia do destino

Bobby Leach, o primeiro homem a pular das cataratas, teve um destino um tanto irônico. Sua ideia era sobreviver a um “desafio triplo”: atravessar um redemoinho a bordo de um barril, saltar de paraquedas da ponte Upper Suspension e, por fim, descer as Cataratas do Niágara em um barril.

Após completar os dois primeiros desafios em 1908 e 1910, respectivamente, Leach pulou das Cataratas Canadenses no dia 25 de julho de 1911. Apesar de ter sobrevivido, o homem quebrou o maxilar, duas rótulas e ficou seis meses no hospital. Quando se recuperou, Leach passou a viajar pelo mundo com o seu barril.

Entretanto, em 1926, na Nova Zelândia, ele acabou escorregando em uma casca de laranja e fraturou a perna, que infeccionou e acabou tendo que ser amputada. Dois meses depois, Bobby faleceu devido a complicações na operação.

O primeiro a morrer...

Charles Stevens era um dublê inglês que saltava de paraquedas e tinha o icônico apelido de "O barbeiro-demônio de Bristol". Em 1920, ele foi tentar a sorte nas cataratas utilizando um barril russo, extremamente pesado, feito de carvalho.

O próprio Bobby Leach e o Sr. William Hill – um senhor que costumava resgatar pessoas das águas do Niágara – pediram para que o homem testasse o barril antes de pular, mas como era teimoso, Stevens se recusou. O resultado não foi nada agradável.

Em seu barril, Charles atou diversas tiras aos braços, amarrou uma bigorna nos pés e levou um tanque de oxigênio. Mas, quando o barril atingiu a água na base das cataratas, a bigorna destroçou o fundo e levou Charles junto. Depois disso, tudo o que foi possível salvar foi o braço direito do homem ainda amarrado nas tiras.

Eles não desistem...

George Stathakis foi um chef que tinha um grande sonho: conseguir dinheiro suficiente para publicar seus livros de metafísica. Para isso, o homem decidiu pular das cataratas e chamar a atenção dos repórteres. Assim como Charles Stevens, Stathakis optou por um barril pesado, mas um tanto maior.

Segundo relatos da época, George falava sobre as cataratas com bastante entusiasmo e usava termos místicos. Em 1930, no dia do pulo, George levou sua tartaruga Sonny Boy, que na época já tinha mais de 100 anos, como um amuleto para dar sorte.

A empreitada foi quase perfeita, pois o homem conseguiu sobreviver à queda. Todavia, o barril ficou preso por trás da cortina d’água e só pôde ser retirado depois de 18 horas. Como o homem só tinha ar para sobreviver por 3 a 8 horas, infelizmente ele acabou morrendo – por incrível que pareça, a tartaruga saiu ilesa.

Brincando com a morte

Jesse W. Sharp era um navegador especializado em caiaques. Com 18 anos, o jovem já havia tentando descer as cataratas, mas seus pais chamaram a polícia, que o impediu. Entretanto, dez anos depois ele voltou a tentar a proeza.

Com muita coragem, em 1990, Sharp optou por descer as cataratas sem colete salva-vidas e capacete. Além disso, ele convidou três amigos para gravar o seu ato. O resultado: seu corpo nunca mais foi encontrado.

Salto radical

As pessoas nunca aprendem, não é mesmo? Cinco anos depois do acidente de Jesse W. Sharp, Robert Overacker também decidiu testar sua sorte, só que dessa vez com um jet ski. O homem vendia carros clássicos ingleses e se formou em uma escola na Califórnia que fornecia veículos para a Ventura Raceway; portanto, emoções fortes devia ser o seu lema.

Durante sete anos, ele planejou sua aventura, que tinha como intuito chamar a atenção para o problema das pessoas desabrigadas. A ideia era usar um paraquedas amarrado nas costas, e que poderia ser ativado quando ele chegasse na beirada das cataratas. Depois, ele deixaria o jet ski e planaria até a lagoa Maid of The Mist.

Todavia, o paraquedas não funcionou e Robert despencou pelos 52 metros. Segundo os policiais que estavam presentes na tragédia, cair na água dessa altura seria equivalente a bater no cimento. O corpo do homem foi resgatado pelo barco de turismo “Maid of the Mist”.

Quem precisa de barco?

Kirk Jones talvez seja o homem mais doido a pular das Cataratas do Niágara. Em 3 de outubro de 2003, o jovem fez e o percurso sem usar nenhum barril, nem salva-vidas. Após escalar as barreiras que impediam o acesso, entrou no rio ainda com as roupas do corpo. Depois, ele flutuou de costas e desceu todo o percurso.

Apesar da falta de segurança, o homem sobreviveu quase sem nenhum arranhão, a não ser algumas costelas quebradas. Para ele foi como estar “em um túnel gigante, em queda livre e cercado por água”.

Os motivos que levaram Kirk a essa proeza continuam um mistério. Algumas pessoas dizem que ele queria se matar, outras afirmam que ele planejava o salto havia semanas; o próprio Kirk Jones nunca quis explicar as razões. Após tamanha aventura, um circo do Texas ofereceu a Jones um trabalho como o “maior dublê do mundo”.

Apesar de ter sobrevivido, Jones não se safou e foi processado pelo governo canadense por ter despeitado a lei de "descer sem permissão" – ainda assim é melhor do que se espatifar nas pedras, não é mesmo?

Suicídio nas águas

Embora as cataratas sejam muito belas, elas também são um dos pontos que mais costumam atrair suicidas no mundo. Inúmeras pessoas já se jogaram das cataratas ou morreram durante alguma tentativa de travessia.

O turista russo Alex Fediakov estava de férias e acabou gravando um desses trágicos momentos. No vídeo abaixo, é possível ver uma mulher nua e desamparada que é arrastada pela correnteza e se dirige para a inevitável queda de 52 metros de altura. O corpo da moça foi resgatado horas depois pelo barco “Dama do Nevoeiro”, que presta serviços de passeios turísticos nas Cataratas do Niágara.

Em um vídeo da década de 80, um repórter transmitia uma matéria em um link ao vivo quando um homem caiu na água. O nome da vítima era Robert Ahrens, um farmacêutico que acidentalmente tomou uma dose muito forte de remédios e despencou nas cataratas. A família do senhor acredita com certeza que esse não foi um ato de suicídio.