Caso você não se recorde, no início do ano passado, os cientistas confirmaram a existência das ondas gravitacionais, isto é, de ondulações no tecido espaço-tempo provocadas pela aceleração de corpos de grande massa no cosmos, como os buracos negros. Elas foram previstas por Albert Einstein em sua Teoria da Relatividade Geral e detectadas pela primeira vez no finalzinho de 2015 pelo LIGO — sigla de Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory ou Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser, em português.

Após a confirmação de que as ondas existem, elas voltaram a ser detectadas alguns meses depois — e, nos últimos dias, os cientistas revelaram que elas foram registradas novamente em janeiro deste ano. Desta vez, as ondulações foram provocadas pela colisão de dois buracos negros há três bilhões de anos (ou que se encontram a três bilhões de anos-luz de distância, se você preferir), e a verdade é que, considerando a frequência com que elas vêm sendo detectadas, a expectativa é de que as ondas gravitacionais sejam identificadas diariamente!

Mas, e o que os cientistas descobriram sobre o espaço desde que eles começaram a detectar as ondas gravitacionais — e quais mistérios eles esperam desvendar sobre o cosmos graças a essas ondulações? Dan Falk, do site Mental_Floss, reuniu algumas opções em um interessante artigo, e você pode conferir três delas (e um bônus!) a seguir:

1 – Elas continuam apoiando a teoria de Einstein

Conforme mencionamos no início da matéria, Einstein previu a existência das ondas gravitacionais há mais de 100 anos, em sua Teoria da Relatividade Geral. Mas a colisão dos buracos negros detectadas em janeiro permitiu que os cientistas confirmassem mais uma coisinha — e Einstein ganhasse mais uma estrelinha por sua genialidade. Veja primeiro o prisma a seguir:

Então, quando ondas de diferentes comprimentos passam através de um meio físico — como o raio de luz passando através de um vidro ou de um prisma —, elas se dispersam. No entanto, de acordo com Einstein, esse efeito não deveria ocorrer com as ondas gravitacionais, e os cientistas observaram justamente isso durante as detecções, especialmente com a última, a da colisão dos buracos negros.

2 – Elas estão ajudando a desvendar mistérios sobre os buracos negros

Como você deve saber, quando dois buracos negros colidem, eles formam um “buracão” maior ainda. No entanto, ao contrário do que muita gente possa imaginar, quando essas duas estruturas se fundem, elas não simplesmente somam suas massas e formam um superburaco negro com o dobro tamanho.

Essas estruturas não dobram de tamanho porque, quando elas colidem, parte de sua massa é convertida em energia e liberada no espaço. Aliás, as observações indicaram que a intensidade da explosão resultante do encontro é absurda — portanto é muito bom que elas ocorram mesmo a bilhões de anos-luz de distância de nós. Segundo as estimativas dos cientistas, a fusão de dois buracos negros pode produzir, por uma fração de segundo, mais energia do que todas as estrelas do Universo juntas.

3 – As ondas podem ser surpreendentemente fortes

Conforme mencionamos anteriormente aqui no Mega Curioso, os cientistas acreditam que existem buracos negros nos centros de quase todas as galáxias. Contudo, isso não significa que não possam existir dessas estruturas vagando livres pelo Universo! Não faz muito tempo, um grupo de astrônomos descobriu um buraco negro se afastando rapidamente de uma galáxia situada a 8 bilhões de anos-luz de distância.

Os cientistas estimaram que a massa do “bichão” era equivalente à de 1 bilhão de sóis e que ele estava viajando a inacreditáveis 8 milhões de quilômetros por hora — então, imagine a energia necessária para “empurrar” esse buraco negro do lugar! Pois os astrônomos acreditam que ela veio de ondas gravitacionais geradas por um par de buracões negros pesos-pesados que colidiram próximo ao centro da galáxia.

Bônus

Depois de conferir algumas coisas fascinantes sobre as ondas gravitacionais, que tal ver algo que os cientistas pretendem descobrir através delas?

Elas poderiam provar a existência de mais dimensões

Não é de hoje que os cientistas teorizam sobre a existência de mais dimensões do que as quatro — três para o espaço e uma para o tempo — que nós percebemos. O problema é que, até agora, ninguém conseguiu encontrar evidências de que elas realmente estejam por aí por meio de experimentos em laboratório, mesmo no Grande Colisor de Hádrons. Pois alguns físicos acreditam que as ondas gravitacionais poderiam ajudar a desvendar esse mistério.

Os pesquisadores especulam que as ondulações poderiam viajar através de outras dimensões e que vestígios de sua existência poderiam ser medidos nas ondas gravitacionais que chegam aqui na Terra. Aliás, segundo os cientistas, elas inclusive poderiam ajudar a explicar a razão de a força da gravidade ser tão fraca — comparada às outras forças que existem na natureza: a eletromagnética, a força nuclear fraca e a força nuclear forte.

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