Há alguns dias, nós do Mega Curioso postamos uma matéria sobre uma série de avanços que já foram conquistados graças à CRISPR, uma técnica que permite que o código genético de partes específicas de determinados cromossomos sejam “editados”. Basicamente, o método consiste em uma espécie de “recorta e cola” de genes que pode ser usado para corrigir defeitos genéticos e alterar o funcionamento de estruturas do organismo — seja ele humano ou não —, portanto a promessa é de que essa tecnologia melhore as nossas vidas no futuro.

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Não é nenhum segredo que existem muito mais pessoas aguardando nas filas de transplante do que órgãos disponíveis, certo? Pois, de acordo com Patrick Caughill, do site Futurism, um time de pesquisadores conseguiu eliminar vírus de porcos por meio da técnica de edição genética — o que tornaria os transplantes de órgãos desenvolvidos nos organismos desses animais mais seguros para recipientes humanos.

Várias questões precisam ser solucionadas antes, mas o avanço é muito importante (Pixabay/Andrew Martin)

Caso você não esteja muito por dentro desse papo de transplante entre porcos e humanos, nós já falamos sobre esse assunto aqui no Mega Curioso — você pode conferir a matéria completa através deste link —, mas, resumidamente, existem pesquisadores trabalhando no desenvolvimento de embriões híbridos de humanos e porcos com o objetivo de produzir órgãos para transplante, uma vez que os órgãos desses animais são semelhantes aos nossos.

Evidentemente, ainda existem inúmeras questões técnicas e éticas que precisam ser solucionadas antes que os porcos possam ser usados como “fábricas” de órgãos para os humanos. Contudo, o que o time de cientistas — da Universidade de Harvard e de uma companhia chamada eGenesis — conseguiu com o uso da CRISPR é, sem dúvida, um imenso passo adiante nesse sentido.

Bem, durante as pesquisas relacionadas com os embriões, os pesquisadores descobriram que retrovírus presentes no material genético dos porcos poderiam oferecer riscos aos humanos que recebessem órgãos transplantados desses animais. Então, o que o time de cientistas atual fez foi empregar a CRISPR para desenvolver clones de porquinhos livres dos retrovírus, o que significa que eles usaram a técnica para erradicar o perigo de transmissão de doenças raras.

“Editando” a rejeição

De acordo com Patrick, além de eliminar o risco de transmissão de vírus entre animais e humanos, é possível que a CRISPR seja usada para lidar com outra questão relacionada aos transplantes e que tira o sono dos pesquisadores: a rejeição dos órgãos recebidos.

Será que os problemas com os transplantes serão solucionados? (Phys Org/Jenna Luecke e David Steadman/Univ. de Texas em Austin)

Segundo Patrick, existem várias pesquisas em andamento, como é o caso de uma conduzida por cientistas da Universidade do Alabama na qual eles desenvolveram porcos em laboratório cujos órgãos não contêm carboidratos — fator que costuma gerar rejeição.

Outra iniciativa, comandada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, está focada em imprimir tecidos completamente novos a partir das células do próprio paciente, de forma a reduzir significativamente o risco de que o organismo não aceite as estruturas transplantadas.