A descoberta de novos exoplanetas — isto é, planetas que se encontram além do Sistema Solar — raramente causa assombro hoje em dia, não é mesmo? No entanto, até agora, todos os mundos (e possíveis candidatos) haviam sido encontrados aqui na Via Láctea mesmo. Até agora.

De acordo com Chelsea Gohd, do site Futurism, pela primeira vez na História, astrônomos conseguiram identificar planetas extragalácticos, ou seja, situados em outras galáxias. E a descoberta desses mundos foi uma verdadeira proeza científica, visto que eles se encontram a inacreditáveis 3,8 bilhões de anos-luz de nós — distância que a tecnologia disponível no momento não consegue “enxergar”. Ficou curioso em saber como, então, os cientistas fizeram para encontrar esses exoplanetas?

Testando limites

Segundo Chelsea, os astrônomos lançaram mão de uma técnica chamada microlente gravitacional — um efeito astronômico que consiste na “distorção da aparência de um objeto por uma fonte de gravidade entre ele e um observador”. Em outras palavras, esse fenômeno ocorre quando o campo gravitacional de um astro distorce a luz que passa por ele — e quando esse corpo se encontra alinhado entre a fonte de luz e a Terra, o efeito “produz” imagens que podem ser detectadas aqui do nosso planeta.

Planetas extragalácticosPela primeira vez na História (National Geographic/Universidade de Oklahoma)

Na verdade, essa técnica já havia sido utilizada anteriormente na identificação de objetos distantes, mas todos foram observados dentro da Via Láctea — que, só para referência, conta com 100 mil anos-luz de diâmetro, aproximadamente. Agora, o time responsável pela descoberta dos planetas extragalácticos resolveu testar os limites do uso da microlente gravitacional e os resultados foram (obviamente) muito positivos.

Planetas extragalácticosDescoberta conquistada graças ao uso da microlente gravitacional (Sci-News/Universidade de Oklahoma)

De acordo com Mike Wehmer, do site BGR, os astrônomos conseguiram identificar cerca de 2 mil explanetas com o uso da técnica e inclusive estimar suas dimensões. Eles calcularam que os mundos contam com tamanhos entre o da nossa Lua e o de Júpiter e conseguiram, por fim, confirmar o que se suspeitava há muito tempo, ou seja, que a nossa galáxia não é a única no Universo que abriga planetas.

Além disso, os astrônomos conseguiram provar que a microlente gravitacional pode ser usada para “enxergar” muito além da Via Láctea e que ela pode ser potencialmente empregada para desvendar muitos outros mistérios do cosmos.