Se você acompanha as notícias relacionadas com astronomia, então deve se lembrar da sonda espacial Rosetta — o dispositivo que a Agência Espacial Europeia enviou até o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko há alguns anos —, né? O equipamento chegou ao seu destino em 2014, e tinha como propósito coletar o máximo de informações possível sobre esse objeto celeste. E cumpriu com louvor sua missão, uma vez que a imensa quantidade de dados que a sonda obteve durante sua visita ainda está sendo processada e gerando descobertas.

Tanto que a última missão da sonda aconteceu em setembro de 2016, quando ela fez as últimas manobras de direcionamento para colidir contra o cometa, mas até agora os cientistas estão estudando as informações que a Rosetta enviou até a Terra. A última descoberta divulgada pelos astrônomos tem a ver com como o 67P/Churyumov-Gerasimenko provavelmente se formou.

Choque cósmico

De acordo com Jake Parks, do site Astronomy, o objeto celeste estudado pela Rosetta tem um formato bastante peculiar, sendo composto por dois lóbulos — como você pode ver na imagem abaixo —, e os cientistas já suspeitavam que essa forma estranha do 67P/C-G indicava que ele pode ter se formado a partir da colisão de dois cometas menores.

67P/Churyumov-Gerasimenko (Wikimedia Commons/ESA/Rosetta/NAVCAM)

Mais especificamente, os cientistas acreditavam que uma colisão em alta velocidade — como seria a que ocorreria entre dois cometas — resultaria principalmente em fragmentos dos dois objetos. Portanto, o consenso era o de que o 67P/C-G deveria ter se formado a partir de uma trombada mais lenta, ocorrida há uns 4 bilhões de anos, mais ou menos, quando o Sistema Solar ainda era uma “vizinhança” recém-formada e os cometas e asteroides viajavam a velocidades mais baixas por aqui.

Entretanto, os astrônomos usaram os dados coletados pela Rosetta para criar uma série de simulações, e os testes revelaram que, mesmo em velocidades mais altas, as colisões poderiam dar origem a novos asteroides e cometas sem que ocorresse muita fragmentação. Assista:

Outra coisa interessante que os cientistas concluíram é que a trombada entre os dois cometas que originaram o 67P/C-G não deve ter alterado demais a composição desses objetos celestes, o que significa que a análise das informações obtidas pela sonda espacial poderão ajudar os astrônomos a descobrir mais coisas sobre os primórdios do Sistema Solar. Só que com os resultados obtidos com as simulações, eles vão ter que recalcular a idade do cometa — que Deus sabe quantos anos tem agora!