Quando cometas se aproximam o suficiente do Sol e se tornam visíveis a olho nu, nos proporcionam uma visão incrível. No último século, vários apareceram, alguns ficando visíveis por um longo tempo, como já mostramos aqui no Mega.

Hoje sabemos como eles são formados e conseguimos prever suas aparições, mas já imaginou o que nossos mais antigos ancestrais pensavam sobre esses objetos brilhantes e alongados cruzando o céu? Embora não possamos dizer qual era a relação deles com cometas ou estrelas, de acordo com pesquisa divulgada recentemente eles testemunharam a aproximação da Estrela de Scholz e a criação de muitos cometas.

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A formação de cometas

Aproximadamente 70 mil anos atrás, quando Sapiens e Neandertais habitavam o planeta Terra, surgiu uma estrela diferente no céu: era vermelha e muito brilhante, mas atualmente já não é visível a olho nu.

Ela hoje é chamada de Estrela de Scholz, por ter sido descoberta pelo astrônomo Ralf-Dieter Scholz em 2013, e atualmente está distante 20 anos-luz da Terra. De acordo com cálculos utilizando como base sua velocidade, distância e trajetória, ela já esteve a apenas 0,5 anos-luz do Sol! Considerando que atualmente Proxima Centauri é a estrela mais próxima — distante 4 anos-luz , a aproximação foi bem grande.

Foto de Proxima CentauriFoto de Proxima Centauri a 4 anos-luz de distância

Durante sua aproximação, a Estrela de Scholz provavelmente atravessou a Nuvem de Oort, uma região do espaço ao redor do Sistema Solar cheia de pequenos corpos congelados. Agora cientistas estudam a trajetória de corpos que se originaram na Nuvem para compreender se esse encontro milenar espalhou cometas pelo Sistema Solar.

Estudo da trajetória dos cometas

Carlos de la Fuente Marcos trabalha na Universidade de Madri, na Espanha, e está utilizando simulações numéricas para calcular os radiantes, ou posições no céu de onde objetos com trajetórias hiperbólicas se originam. Ele e seus colegas estudaram 340 corpos conhecidos por esse tipo de trajetória  situação que acaba com o corpo saindo do Sistema Solar, ao contrário de um trajetória elíptica que se mantém ao redor do Sol.

Essa análise levou à conclusão de que a passagem da Estrela de Scholz fez com que vários corpos fossem criados, sendo lançados para fora da Nuvem de Oort e criando um algomerado de cometas saindo de uma mesma posição no céu, próximo à constelação de Gêmeos.

Nesta ilustração da NasaNesta ilustração da NASA é possível ver a posição da Nuvem de Oort em relação ao Sistema Solar

A princípio, esperava-se que essas posições fossem distribuídas uniformemente pelo céu, particularmente se esses objetos viessem da Nuvem de Oort. No entanto, encontrou-se algo incomum: uma acumulação estatisticamente significativa de radiantes. Esse é um comportamento inesperado, até que se considere a passagem da Estrela de Scholz pela Nuvem.

Objetos com trajetórias hiperbólicas interessam muito aos cientistas, pois usualmente vêm do espaço interestelar tão rápido que o Sol não tem força gravitacional suficiente para capturá-los, fazendo com que seja uma passagem única. Por isso, nem todos esses objetos foram impactados pela proximidade que a Estrela de Scholz um dia teve do Sol; foram influenciados somente os objetos que estiveram próximos o suficiente.