Um novo estudo realizado por cientistas americanos e chilenos revelou que o centro da nossa galáxia não é habitado apenas por um gigantesco buraco negro, mas por milhares deles. Segundo as informações publicadas na revista Nature, a área central da Via Láctea contém aproximadamente 10 mil buracos negros.

Por décadas, os cientistas acreditaram que os buracos negros “afundavam” no centro da galáxia e se acumulavam por lá. Mas os cientistas não tinham provas de que esses objetos exóticos tivessem se reunido no centro da Via Láctea.

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Procurando buracos negros

De acordo com Chuck Hailey, astrofísico da Universidade de Columbia, é surpreendente que se possa ter uma previsão tão grande de objetos e, ao mesmo tempo, não encontrar nenhuma evidência deles.

Buracos negros são quase impossíveis de serem detectados, mas aqueles que são acompanhados por objetos (como uma estrela em órbita) interagem de um jeito que permite serem identificados por emissões de raio X.

A equipe então pesquisou por sinais em uma região aproximadamente 3 anos-luz de distância do buraco negro massivo localizado no centro da galáxia e encontrou dezenas de buracos negros conectados com objetos celestes.

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Relevância da descoberta

Localizar tantos buracos negros em uma região tão pequena é bem significativo, porque até agora os cientistas encontraram evidências de apenas cerca de cinco dúzias de buracos negros em toda a galáxia – com um diâmetro de 100 anos-luz.

Além disso, o centro da nossa galáxia certamente tem muito mais do que a dúzia de buracos negros que acabaram de ser detectados. Os pesquisadores usaram o que se sabe sobre os buracos negros de forma a extrapolar o que eles viram para o que não puderam ver. Seus cálculos mostram que deve haver várias centenas de buracos negros emparelhados com estrelas no centro galáctico, além dos 10 mil buracos negros isolados.

Hailey acredita que o que eles descobriram deve ajudar os teóricos a fazer previsões melhores sobre quantos choques cósmicos podem ocorrer e gerar ondas gravitacionais detectáveis. Os cientistas só recentemente começaram a perceber essas ondulações no espaço-tempo, que foram preditas por Albert Einstein há cerca de um século.