Cientistas trabalhando em um sítio arqueológico no Peru se depararam com algo estarrecedor: um local contendo os esqueletos de mais de 140 crianças que foram sacrificadas em um único evento ritualístico há cerca de 550 anos. De acordo com Kristin Romey, da National Geographic, esse lugar se encontra próximo a Trujillo, cidade situada no litoral norte do país e, além das crianças, os pesquisadores também descobriram as ossadas de 200 lhamas.

Ritual sangrento

A descoberta foi realizada por um time internacional e interdisciplinar de pesquisadores e provavelmente representa o sítio do maior sacrifício de crianças já encontrado na História. Na época em que o ritual aconteceu — por volta do ano 1450 —, a região era dominada pelo Império Chimú, uma cultura pré-colombiana sobre a qual não existem muitas informações, mas, até onde se sabe, realizava sacrifícios, embora não houvesse registros de que seus integrantes tivessem conduzido rituais na escala encontrada.

Sítio arqueológico(National Geographic/Gabriel Prieto)

Com relação às vítimas, os cientistas determinaram que as crianças tinham entre 5 e 14 anos de idade, sendo a maioria delas entre os 8 e 12 anos, e grande parte dos corpos foi sepultada voltada para o oeste — direção em que se encontra o mar. Segundo Kristin, os pesquisadores identificaram nos esqueletos marcas de corte na região do esterno, que é o osso que fica na parte anterior do tórax, assim como costelas deslocadas, o que eles explicaram ser consistente com o sacrifício humano onde ocorre a remoção do coração.

Ossos humanos(National Geographic/Gabriel Prieto)

Já com relação às lhamas, os pesquisadores concluíram que se tratava de animais jovens, com menos de um ano e meio de vida, e elas foram enterradas com os corpos voltados na direção oposta das crianças, ou seja, para o leste, que é onde se encontram os Andes.

Esqueletos humanos(National Geographic/Gabriel Prieto)

Na verdade, apesar de a descoberta desse estarrecedor local ter sido divulgada só agora, o sítio, conhecido como Huanchaquito-Las Llamas, vem sendo escavado já faz algum tempo, e, em 2011, os pesquisadores encontraram lá os corpos de 42 crianças e de 76 lhamas. Cinco anos depois, em 2016, o número de esqueletos já tinha aumentado substancialmente e, agora, a quantidade está em 140 restos mortais humanos e 200 de animais.

Esqueleto humano(National Geographic/Gabriel Prieto)

Os trabalhos no sítio — que tem por volta de 700 metros quadrados — continuam, e além dos esqueletos das crianças e das lhamas, os cientistas também encontrara os corpos de três adultos com sinais de trauma nos crânios e que podem (ou não) ter sido sacrificados no mesmo evento. Os pesquisadores ainda encontraram inúmeros artefatos ritualísticos com as ossadas, bem como fragmentos de corda e tecidos.

Esqueleto humano(National Geographic/Gabriel Prieto)

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