As nebulosas são, basicamente, imensas nuvens cósmicas formadas por poeira, plasma e elementos como o hélio e o hidrogênio, e estão entre os objetos mais bonitos que existem pelo Universo. Pois um estudo recente, conduzido por cientistas da Universidade de Manchester, na Inglaterra, apontou que esse será o “belo” fim que o nosso Sol encontrará logo depois de morrer.

Morte estelar

A nossa estrela deve chegar ao fim de sua vida — dentro de 3,5 bilhões de anos, quando ela consumir todo o seu hidrogênio —, mas como o Sol não é muito massivo, em vez de passar pelo processo de supernova, ele se tornará cerca de 40% mais brilhante, engolirá Mercúrio e Vênus, sua atmosfera deverá se estender até a órbita de Marte, mais ou menos, chamuscará a Terra e se converterá em uma gigante vermelha.

Nebulosa NGC 604Nebulosa NGC 604 (Wikimedia Commons/NASA/Hui Yang/Universidade de Illinois)

A próxima etapa da evolução estelar será a conversão do Sol em uma anã branca — e o que aconteceria depois disso era um assunto debatido pelos cientistas. Muitos defendiam a teoria de que a nossa estrela se transformaria em uma nebulosa. Entretanto, como o Sol não é lá muito grande (em comparação com outras estrelas que já foram observadas no Universo), havia dúvidas de que ele realmente teria “tamanho” suficiente para criar uma bela nuvem de poeira cósmica.

As simulações realizadas pelo time de Manchester parecem ter colocado um fim na dúvida, uma vez que elas apontaram que a nossa estrela vai, sim, entrar para a lista de objetos mais bonitos que existem no cosmos. Não que haverá algum terráqueo por aqui para poder apreciar o espetáculo celeste, mas, enfim...

Modelo atualizado

De acordo com os cientistas que conduziram as simulações, na verdade, 90% das gigantes vermelhas que “morrem” no Universo se convertem em nebulosas. Isso ocorre porque, durante o processo de morte estelar, elas ejetam por volta de metade de sua massa ao espaço, deixando seus núcleos expostos e criando uma espécie de envoltório de fragmentos e gás ao seu redor.

Nebulosa de ÓrionNebulosa de Órion (Wikimedia Commons/Steve Black)

Só que os núcleos das estrelas continuam emitindo raios X e luz ultravioleta por alguns milhares de anos — até que todo o material seja consumido e as estrelas finalmente se “apagam” —, e são essas emissões que iluminam e tornam as nebulosas tão espetaculares. Estudos anteriores haviam apontado que, para passar por esse mesmo processo, o nosso Sol deveria ter o dobro da massa que ele tem, mas o modelo criado agora pelo pessoal de Manchester, que traz dados mais atualizados sobre o processo de criação de nebulosas, mostra o contrário.

As simulações revelaram que a nossa estrela tem (por bem pouco) o tamanho suficiente para formar uma linda nuvem cósmica, e apontou também que depois de o núcleo das estrelas ejetarem material, ele aquece três vezes mais depressa do que se pensava. Isso significa que, mesmo quando não se trata de uma estrela imensa, a quantidade de energia liberada é suficiente para iluminar o envoltório de gás e fragmentos e, portanto, criar um espetáculo celeste, mesmo que mais modesto do que quando se trata de um astro supermassivo.

Nebulosa da ÁguiaNebulosa da Águia (Wikimedia Commons/NASA/Jeff Hester e Paul Scowen/Universidade Estadual do Arizona)

Vale destacar que o Sol se qualifica como candidato a nebulosa por pouco, uma vez que estrelas minimamente menores do que ele não são capazes de produzir nuvens cósmicas. Conforme comentamos, quando a coisa toda acontecer, nós não estaremos mais aqui para ver. Contudo, estima-se que a nebulosa criada pelo nosso Sol será visível de Andrômeda, sendo assim, se a nossa civilização — não se autodestruir e — conseguir desenvolver a tecnologia necessária para viajar de uma galáxia a outra, pode ser que os nossos descendentes (em um futuro muito, muito distante) consigam apreciar o espetáculo. Vai saber...

*No destaque, uma imagem da Nebulosa Olho de Gato, situada na Constelação do Dragão.

***

Sabia que fãs de filmes e séries agora estão no Clube Minha Série? Neste espaço, você também pode escrever e encontrar outros especialistas sobre seus programas favoritos! Acesse aqui e participe.