Enquanto boa parte dos seres humanos se dedica a destruir o planeta poluindo desenfreadamente, as agências de exploração espacial seguem em sua missão de encontrar um refúgio habitável fora da Terra. Há alguns anos, a lua Europa, um dos satélites naturais de Júpiter, vem se mostrando uma escolha em potencial.

Isso porque ela é formada principalmente por água – tendo, inclusive, mais água que aqui! O problema é que, graças principalmente à sua distância do Sol, a superfície desse pequeno satélite está toda congelada.

Agora, no entanto, ao revisitar alguns achados da década de 90, cientistas da NASA visualizaram pequenas plumas de água saindo de orifícios na crosta do astro. As imagens foram captadas pela sonda Galileo no ano de 1997.

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Um novo artigo da revista Nature Astronomy publicado pelo físico espacial Xianzhe Jia, da Universidade de Michigan, reexamina a missão, que chegou a 200 km de Europa com um Espectrômetro de Onda de Plasma. Esse equipamento é utilizado para medir a atmosfera da lua e compreender ondas causadas por partículas carregadas nos gases que compõem o ar.

Ao aplicar tecnologias e modelos computacionais que ainda não estavam disponíveis naquela época, o pesquisador e sua equipe conseguiram entender do que se tratava uma curva localizada no campo magnético do satélite de Júpiter e comprovaram o que imagens ultravioletas do Telescópio Espacial Hubble também já sugeriam em 2012: aquela distorção poderia ser água vaporizada.

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Para obter uma visão mais palpável, os cientistas combinaram as descobertas da Galileo às imagens do Hubble e aplicaram todos esses dados em um modelo 3D. Assim, eles conseguiram criar as imagens recentemente divulgadas pela NASA.

Essa descoberta reforça a hipótese da existência de vida em Europa e dá mais respaldo à missão Clipper, que em breve sairá rumo a Júpiter para realizar novos levantamentos.

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Foi, inclusive, uma das cientistas envolvidas com a missão que inspirou Jia a retomar os dados da antiga sonda. Melissa McGrath, que faz parte do SETI Institute de Mountain View, na Califórnia, fez uma apresentação destacando algumas observações do telescópio Hubble, na qual mencionou um dos locais sobre os quais o físico já tinha se debruçado anteriormente.

"Lembrei que Galileo tinha de fato feito um voo próximo àquela região e tinha sido o mais perto que ele chegou. Percebemos que era importante voltar e ver se havia algo nos dados que poderia nos dizer mais sobre se haveria uma pluma de água ou não", explicou ao site da NASA o cientista.