Você deve estar acompanhando as notícias relacionadas com as violentas erupções do Volcán de Fuego, na Guatemala, certo? Segundos as atualizações mais recentes, o número de vítimas já passa de 100 e as operações de busca e resgate tiveram que ser temporariamente suspensas devido às perigosas condições nas imediações do vulcão e o risco de que novas erupções ocorram.

A maioria das vítimas, conforme explicamos em matérias anteriores aqui do Mega Curioso, morreu em consequência do fluxo piroclástico, que consiste em uma mistura de cinzas, fragmentos de rocha e gases superquentes que podem alcançar entre 200 e 700 graus Celsius e viajar a até 700 quilômetros por hora vulcão abaixo.

Pois foi essa massa feroz e letal — que é muito mais perigosa do que o fluxo de lava vulcânica propriamente dito — que dizimou a população de Pompeia, quando o Vesúvio entrou em erupção no ano 79, portanto, é difícil não comparar o que aconteceu então com o que vem ocorrendo agora, na Guatemala. Mas, será que as duas tragédias são mesmo tão semelhantes assim?

Guatemala x Pompeia

Nós aqui do Mega demos uma investigada no que os especialistas vêm dizendo nos últimos dias sobre as erupções que ocorreram na Guatemala e como elas se comparam à que se deu em Pompeia há pouco menos de dois mil anos e, a verdade, apesar de ambos eventos terem produzido muito estragos, o da antiguidade foi bem mais devastador.

Erupção vulcânicaPode ser perigoso, mas que é bonito, isso é! (Contacto Hoy)

Até onde conseguimos apurar, a erupção do Volcán de Fuego produziu uma coluna de gás e cinzas que chegou a medir entre 3 e 4 quilômetros de altitude, e esse material deu origem ao fluxo piroclástico que desceu pela montanha a uma velocidade estimada entre 100 e 150 quilômetros por hora e atingiu temperaturas de mais ou menos 700 graus Celsius.

Esse material acabou por engolir os vilarejos e comunidades situados nas encostas — e, basicamente, derreter e, depois, soterrar com cinzas, tudo o que havia por diante. O vulcão continua mostrando sinais de atividade, portanto, a Guatemala ainda se encontra em alerta, a dimensão da tragédia não foi completamente mensurada e o número de feridos, mortos e desabrigados pode variar, infelizmente.

No caso de Pompeia, análises realizadas na antiga cidade italiana revelaram que a erupção do Vesúvio produziu colunas de cinzas e gases que chegaram a atingir entre 25 e 30 quilômetros de altitude, produzindo uma massa de fluxo piroclástico — com as mesmas características do observado no Volcán de Fuego —, mas com um volume muito maior.

Erupção em PompeiaA erupção de Pompeia foi mais nervosa (Essay Pro)

Os cientistas calcularam que a explosão do Vesúvio liberou uma quantidade de energia térmica equivalente a 100 mil vezes a da bomba atômica detonada sobre Hiroshima durante a Segunda Guerra Mundial. E, embora seja impossível determinar quantas pessoas perderam suas vidas na erupção, as estimavas apontam que o número provavelmente rondou os 13 mil.

Aliás, embora se fale muito da erupção que destruiu Pompeia — e sua vizinha, Herculano —, em 1902, o fluxo piroclástico resultante da explosão do Monte Pelée, na ilha caribenha de Martinica, deixou 30 mil mortos e se transformou na maior catástrofe vulcânica do século 20.

Fluxo infernal

O fluxo piroclástico geralmente desce feito uma avalanche pelas encostas dos estratovulcões — aqueles com formato de cone e que costumam provocar as erupções mais explosivas — e, uma vez o material é expelido, ele pode viajar inclusive sobre a água e até subir pequenos morros.

Então, digamos que uma pessoa se encontra nas proximidades de um vulcão ativo e ele decide entrar em erupção e “cuspir” fluxo piroclástico em sua direção. Como essa massa alcança altas velocidades e temperaturas infernais, depois que ela se põe em movimento e começa a engolir tudo o que se encontra pelo caminho, existem poucas opções. Uma alternativa seria montar em um helicóptero desses bem ágeis e fugir o mais depressa possível, mas...

Vítima de PompeiaUma das vítimas da erupção de Pompeia (Senso Travel)

Para quem tem a má sorte de não conseguir escapar, conforme o fluxo piroclástico se aproxima, o intenso calor será sentido antes mesmo de um corpo ser atingido pela nuvem de gases e cinzas, e entrará em combustão antes de ser engolido pelos detritos vulcânicos. Aliás, até mesmo aqueles que conseguem se esconder no interior de uma casa ou edifício, por exemplo, correm sérios riscos de morrer.

Isso porque, caso se trate de um fluxo piroclástico dos mais ferozes, daqueles que alcançam os 700 °C, o intenso calor poderá causar graves lesões nas mucosas respiratórias e nos pulmões, além de potencialmente queimar as roupas que a pessoa estiver usando e até derreter peças de metal. Seja como for, uma vez o sujeito é atingido por essa massa quente, o que normalmente acontece é que o indivíduo sofre asfixia e os músculos se contraem — fazendo com que o corpo adote uma postura parecida ao de um pugilista.

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