É um senso bastante comum que Da Vinci era um gênio. Ele era uma pessoa dotada de múltiplos talentos, com trabalhos reconhecidos em áreas como invenção, pintura, escultura, ciência, música, matemática, engenharia, literatura, anatomia, geologia, astronomia, botânica, escrita, história e cartografia.

O que conhecemos sobre Da Vinci foi revelado através dos seus livros e manuscritos, repletos de detalhes sobre experiências e inventos. Mas nem tudo o que Da Vinci anotou foi considerado importante ao longo das décadas, como afirma o site de notícias Curiosity. É o caso de um diretor de museu que, em 1920, examinou uma página do caderno de anotações do italiano e classificou os rabiscos como irrelevantes.

Mais do gênio

Porém, Ian Hutchings, professor da Universidade de Cambridge, revisou o conteúdo em 2016 e percebeu que ali existiam descobertas inovadoras: os primeiros registros escritos demonstrando as Leis do Atrito. A descoberta foi publicada pelo pesquisador em abril de 2016.

É quase um consenso entre os especialistas que Da Vinci foi o responsável pela realização dos primeiros estudos sobre fricção, mas ainda não estava claro como e quando ele realmente havia chegado às informações sobre as leis.

Hutchings examinou uma página específica de um pequeno caderno de 1493 do gênio. A caderneta é tão cheia de ideias que o livro frequentemente voltava a ser examinado pelos mais diversos motivos (em 1920, as pessoas estavam interessadas em uns rabiscos de uma mulher que poderia ser Helena de Troia).

Encontrando as informações

Os principais esboços sobre fricção ocupam a página logo abaixo da mulher desenhada e foram feitos com uma cor diferente de lápis. Os desenhos mostram fileiras de blocos sendo puxados por um peso pendurado sobre uma polia. 

Hutchings percebeu o que os pesquisadores no passado não conseguiram enxergar: as figuras geométricas brutas demonstravam as leis do atrito. Segundo o professor, Da Vinci sabia que "a força de atrito atuando entre duas superfícies deslizantes é proporcional à carga pressionando as superfícies juntas e que o atrito é independente da área aparente de contato entre as duas superfícies”.

Muito antes que o descobridor

Além disso, Hutchings percebeu que esses desenhos são anteriores à época em que as pessoas acreditavam que as leis haviam sido descobertas. Elas são historicamente atribuídas a Guillaume Amontons, que as estudou em 1600, mas os esboços de Da Vinci seguramente colocam Amontons na posição de “redescobridor”.

Da Vinci estudou tribologia (que nada tem a ver com tribos, mas sim com o estudo da interação de superfícies em movimento) por cerca de 20 anos. Ele adorava desenhar máquinas complexas, e isso significa que ele compreendia as formas pelas quais o atrito impactava rodas, eixos, roscas de parafuso e polias.

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