Não precisamos sair da atmosfera terrestre para encontrar belezas naturais e paisagens de tirar o fôlego, mas caso essa seja uma opção, o Sistema Solar pode ser uma grande fonte de novidades.

Sejam as nuvens venusianas de ácido sulfúrico, o tamanho de Júpiter ou os anéis de Saturno, essas paisagens únicas encantam por sua magnitude. E Marte também possui belezas singulares — o Olympus Mons é uma delas.

Primeiros registros

A formação foi identificada pela primeira vez em 1877, quando o astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli estudou a superfície do planeta. Em seus registros, ele indicou ter encontrado uma série de canais e um ponto mais claro, que parecia ser o pico de algo grande.

Através da melhoria dos telescópios utilizados, ele mesmo conseguiu perceber que não existiam os canais identificados anteriormente, mas teve certeza sobre o pico de uma enorme estrutura montanhosa.

Ele a batizou de Nix Olympica, que significa neve olímpica em latim, porém o nome foi alterado nos anos 1970. Por meio da sonda Mariner 9, lançada em 1971 para explorar a superfície do planeta vermelho, a NASA constatou que as observações de Schiaparelli estavam corretas.

O único detalhe é que o ponto não era o topo de uma simples cadeia de montanhas, mas sim de um vulcão. Neve e lava não combinam, por isso a agência renomeou a montanha para Olympus Mons, que significa Monte Olimpo em latim, refletindo melhor a realidade da formação.

Três vezes o Everest

Localizado na região central de Marte, no que equivale à nossa Linha do Equador, o Olympus Mons é um vulcão que se estende por cerca de 600 quilômetros. Com incríveis 21.229 metros acima do nível médio da superfície, ele mede quase o equivalente a três vezes o Monte Everest, que possui 8.848 metros acima do nível do mar.

Quando são comparados os tamanhos da base, também ficamos para trás. O vulcão marciano ocupa uma área de 311 mil quilômetros quadrados, contra os 260 mil quilômetros quadrados do Tamu Massif, maior vulcão do nosso planeta, que está escondido sob o oceano Pacífico.

Para se ter uma noção de sua grandiosidade, a imagem acima mostra a área equivalente do vulcão marciano projetada sobre a França. Na de baixo, foram colocados, lado a lado, o Olympus Mons, o Monte Everest e o Mauna Kea, vulcão mais alto do Havaí.

A montanha marciana é relativamente recente: o início de sua formação é estimado em 3,5 bilhões de anos, e as regiões mais novas existem há apenas alguns milhões de anos. Por isso, alguns cientistas acreditam que o vulcão talvez ainda esteja ativo.

Infelizmente, caso ele volte a entrar em erupção, não proporcionará um show de explosões, pois é classificado como um vulcão em escudo. Esse tipo de formação tem como característica o fluxo constante de lava, sem explosões, e por longos períodos. Esse é o motivo de o Olympus Mons não possuir um pico tão proeminente, fazendo com que sua inclinação seja bem pequena: apenas 5%.

O vulcão chegou ao tamanho que possui atualmente por características específicas do planeta. A superfície de Marte possui uma gravidade menor do que a da Terra, fato que permite a acumulação de mais lava ao longo do tempo. Além disso, os vulcões de lá expelem mais magma e por muito mais tempo, quando comparados aos nossos.

Outro fator importante é que, no planeta vermelho, o movimento das placas tectônicas é bem menor, proporcionando condições mais favoráveis para longos períodos de erupção. Por aqui, esses deslocamentos fazem com que o comum seja a formação de uma cadeia de montanhas vulcânicas, e não uma única formação gigante.

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