Se você é fã de astronomia e está antenado nas últimas novidades dessa área, deve ter ficado sabendo que ontem (17) foi anunciada a descoberta de uma porção de novas luas ao redor de Júpiter. Mas, como foi isso de encontrar novos satélites orbitando o maior planeta do Sistema Solar, você soube?

Pois é! Um time de astrônomos da Instituição Carnegie para Ciência, nos EUA, descobriu acidentalmente que a quantidade de satélites que fazem parte do “séquito” do gigante gasoso é maior do que se pensava. Aliás, pode que existam ainda mais luas para serem descobertas ao redor de Júpiter. E falando em quantos satélites jupterianos existem...

[Deixe a gente fazer um breve adendo!]

Nós aqui da redação consultamos diversas fontes de notícias e encontramos discrepâncias no número de novos satélites — alguns veículos citam que foram 10, enquanto outros falam de 12. Então, fomos dar uma olhada no que a NASA tinha a dizer e, segundo a agência espacial, os cientistas encontraram 11 novas luas e um astro que eles estão chamando de “esquisitão”, elevando o número total de satélites jupterianos para 79.

Júpiter(NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Gerald Eichstädt e Seán Doran)

Contudo, também encontramos informações de que em junho do ano passado, cientistas da própria Instituição Carnegie confirmaram a identificação de 2 novas luas em órbita ao redor de Júpiter, fazendo com que o número de satélites conhecidos passasse de 67 para 69 — que, cá entre nós, é um número pra lá de sugestivo, né?. Enfim, só queríamos esclarecer que, dependendo de onde você ler a notícia sobre as novas luas, vai encontrar informações diferentes.

Caçadores de luas

Os astrônomos da Carnegie estavam, na realidade, usando um equipamento supersensível montado em um telescópio no Chile para observar e buscar corpos celestes nos confins do Sistema Solar no ano passado. Então, no início de 2017, eles moveram o foco do dispositivo — chamado Dark Energy Camera, que está montado no telescópio Blanco 4-m — para uma região do espaço que coincidia com a posição de Júpiter.

Assim, como já estavam com a tal câmera apontada para o gigante gasoso mesmo, os astrônomos resolveram aproveitar para ajustar o equipamento para buscar não apenas objetos distantes, mas para dar uma espiada no que estava rolando nas imediações de Júpiter. Não que a área observada não tivesse sido vasculhada anteriormente por outros cientistas, mas, o time imaginou que pudesse encontrar através da DECam algo que dispositivos menos modernos e sensíveis não conseguiram “enxergar”. E... Bingo!

Novas luas de Júpiter(NASA)

Com apenas alguns dias de observações, os astrônomos identificaram mais de 20 objetos que, potencialmente, poderiam ser satélites jupterianos. No entanto, confirmar que um astro é uma lua não é algo tão simples assim, nem imediato! Os cientistas tiveram que fazer uma porção de novas observações e esperar um ano inteiro para confirmar que os objetos seguiriam as órbitas que eles haviam previsto. Tanto que, das quase duas dúzias de corpos celestes, apenas “11 + 1” foram identificados como sendo mesmo luas.

Companheiros

A maioria dos satélites naturais segue a mesma direção de rotação de seu planeta, mas, das 12 identificadas, apenas duas — as que se encontram mais próximas da superfície de Júpiter com relação às outras — viajam nesse sentido, levando menos de um ano terrestre para completar uma volta ao redor do planeta. Sobre esses corpos, os cientistas acreditam que eles eram parte de um objeto maior que se fragmentou após a colisão com asteroides ou outros corpos celestes.

Novas luas de Júpiter(NASA)

As demais luas, incluindo o “astro esquisitão”, se movem na direção oposta à rotação de Júpiter, e esse grupo de satélites se encontra tão distante da superfície do planeta que, para completar uma volta ao redor dele, eles levam cerca de 2 anos terrestres.

Sobre o “astro esquisitão” mais especificamente, os astrônomos explicaram que se trata de uma luazinha com menos de 1 quilômetro de diâmetro que está lá, viajando na direção contrária dos demais corpos que orbitam ao redor do gigante gasoso — como se “se tratasse de um automóvel transitando por uma rodovia na contramão”.

Esse objeto foi batizado pelos cientistas de “Valetudo”, nome que, apesar de parecer apropriado, considerando sua movimentação, foi inspirado no da bisneta do deus romano Júpiter, uma vez que, segundo a convenção, os satélites do planeta devem ser nomeados com base em personagens da mitologia greco-romana. Os astrônomos também suspeitam que essa pequena lua se formou após uma forte colisão no passado — e estão certos de que existem muitas outras viajando ao redor de Júpiter, só esperando para ser descobertas.

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