De modo geral, o consenso atual é o de que, para que um corpo celeste possa abrigar formas de vida — como conhecemos —, é necessário que ele possua algumas características básicas, sendo a presença de água em sua forma líquida a mais importante delas. Pois a Lua, que além de não conter o líquido de forma abundante e facilmente acessível (existe água por lá sim, mas principalmente na forma de depósitos de gelo nos polos e moléculas), é desprovida de atmosfera, e não oferece um ambiente que podemos chamar de acolhedor.

Lua(NASA 1)

No entanto, de acordo com Kara Goldfarb, do site All That Is Interesting, um novo estudo — publicado por pesquisadores da Universidade Estadual de Washington recentemente no periódico Astrobiology — sugere que a companheira da Terra já pode ter abrigado formas de vida sim.

Passado menos inóspito

Segundo Kara, os cientistas realizaram uma série de análises em materiais coletados na Lua, como rochas e solo lunar, e concluíram que, durante dois períodos distintos, a superfície do astro pode ter oferecido as condições necessárias para o surgimento de formas de vida simples. Os pesquisadores acreditam que o primeiro desses períodos se deu logo após a formação da Lua, há cerca de 4 bilhões de anos, e o segundo, por volta de 3,5 bilhões atrás, quando a atividade vulcânica no satélite estava em seu ápice.

Lua(NASA 2)

Nesses intervalos de tempo, conforme teorizam os cientistas, o astro pode ter liberado grandes quantidades de gases superaquecidos de seu interior na superfície lunar, entre eles o vapor de água. Caso isso realmente tenha ocorrido, é possível que tenham se formado poças por lá — e, se havia água na forma líquida e uma atmosfera significativa, e ambas permaneceram presentes por longos períodos de tempo, a Lua pode ter sido habitável, ainda que forma temporária.

Água a gente sabe que o satélite abrigou (e ainda abriga), e existem evidências de que ele, quando ainda era “jovenzinho”, há bilhões de anos, contava com um campo magnético — que teria funcionado como uma espécie de escudo protetor para as possíveis formas de vida que tivessem surgido na Lua, principalmente contra a ação dos ventos solares e da radiação cósmica.

Terra e Lua(Wikimedia Commons/NASA/Bill Anders)

E tem mais uma coisinha: pouco depois da formação do Sistema Solar, a Terra e a Lua foram alvos de um sem fim de colisões de rochas espaciais. Assim, os cientistas teorizam que fragmentos resultantes dos impactos podem ter sido transferidos do nosso planeta para o satélite — carregando micróbios terráqueos de carona. E se esses organismos encontraram as poças de água, existe a possibilidade de que elas tenham se proliferado até a Lua se tornar o astro seco e inabitável que ela é hoje.

Obviamente, tudo não passa de teoria — e nada do que os pesquisadores sugerem poderá ser comprovado se não forem encontradas evidências físicas de que existiram formas de vida na Lua. Mas não deixa de ser uma possibilidade interessante, você não concorda?

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