Você já deve ter ouvido sobre o permafrost, certo? Esse termo se refere a um tipo de solo presente na região do Ártico e que permanece — ou deveria! — constantemente congelado. No entanto, com a elevação das temperaturas globais, o permafrost (ou pergelissolo, como também é conhecido) de algumas áreas está descongelando e, enquanto em determinadas partes, o derretimento está revelando artefatos arqueológicos que permaneceram durante milênios em meio a esse solo, o degelo vem liberando outras surpresas!

Impressionante

Pois com uma dessas surpresinhas que um time de cientistas estudando o permafrost na Sibéria se deparou recentemente. Os pesquisadores recolheram cerca de 300 vermes em duas áreas diferentes — animais da época do Pleistoceno que estão ressurgindo com o derretimento do solo. E entre esses bichos todos, que permaneceram milhares anos enterrados, os cientistas encontram criaturas que, depois de descongelarem, voltaram à vida. Assustador, você não concorda?

Vermes de milhares de anosVermes de milhares de anos (The Siberian Times)

Os pesquisadores identificaram os vermes como sendo nematódeos e, em laboratório, eles determinaram que um deles — descoberto no interior de uma toca de esquilo pré-histórico — tinha nada menos que impressionantes 32 mil anos. E esse nem foi o mais ancião dos bichos! Outro exemplar coletado pelos cientistas bateu os 41,7 mil anos e, tanto esse como o outro, aparentemente são fêmeas e, depois de voltar à vida, inclusive começaram a se alimentar novamente.

Vermes de mais de 40 mil anosDespertando depois de milhares de anos (The Siberian Times)

Ainda sobre os vermes coletados, alguns deles foram encontrados a cerca de 30 metros de profundidade no solo e foram identificados como sendo do gênero Panagrolaimus — entre eles estava o bicho que foi descoberto na toca de esquilo. Já o exemplar mais velho foi classificado como sendo do gênero Plectus, e este foi coletado com outros tantos indivíduos a apenas 3,5 metros de profundidade.

Despertando do passado

Por um lado temos um fator bastante interessante com a descoberta desses vermes — capazes de permanecer congelados por tantos milhares de anos e poder voltar à vida. Afinal, essa característica pode ser estudada pelos cientistas e permitir avanços nas áreas da criobiologia, criomedicina e da astrobiologia, por exemplo.

Permafrost derretidoUm dos locais nos quais os vermes foram coletados (The Siberian Times)

Contudo, por outro lado, se essas criaturas voltaram à vida após mais de 30 mil ou 40 mil anos, quem garante que o derretimento do permafrost não vá liberar vírus, bactérias e outros organismos de centenas, milhares e até milhões de anos atrás e que sejam potencialmente letais para a vida que existe hoje na Terra? Essa preocupação existe entre os cientistas faz tempo e, com a elevação das temperaturas globais e o degelo das regiões polares, o risco de infecções também aumenta.

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