Na próxima vez em que a sua mãe disser que queria ter três ou quatro braços para poder atender a todo mundo ao mesmo tempo, você pode alimentar as esperanças dela de que isso talvez aconteça em um futuro não tão distante assim.

Pode parecer coisa de "Grey's Anatomy" ou "Os Jetsons", mas a novidade vem do Instituto de Pesquisa Avançada em Telecomunicações do Japão, onde dois pesquisadores estão trabalhando em um membro robótico capaz de atuar no corpo humano sendo controlado pelos pensamentos.

Essa ideia de utilizar impulsos do cérebro para ativar mecanismos de movimento dos braços e das pernas não é algo totalmente inédito, mas até agora só vem sendo analisado e até mesmo implantado com sucesso para pessoas que perderam um de seus membros e precisam de uma prótese – veteranos de guerra, por exemplo.

Avançadíssimo, esse recurso trabalha justamente com os comandos neuronais que já são enviados para o membro que existia, mas foi perdido. O grande diferencial dessa nova pesquisa, publicada no periódico Science Robotics, é que os cientistas querem incluir um terceiro braço ou uma terceira perna em uma pessoa que não necessariamente precisa substituir uma parte.

A ideia não é nada ruim. Já pensou se você pudesse escrever um texto enquanto folheia um livro ou lavar a louça enquanto navega no seu smartphone com a sua terceira mão?

Pessoas que adoram ser multitarefas iriam à loucura! A lista de possibilidades é gigantesca e de fazer inveja até mesmo aos mais malucos cientistas do Instituto Dyad, da série "Orphan Black". É quase um complexo de Shiva!

E os autores do estudo que está concentrado sobre essa possibilidade – Christian I. Penaloza e Shuichi Nishio – já começaram a colocar em prática alguns passos para implantação desse recurso, que estão chamando de "membro robótico supranumerário" (SRL, de Supernumerary Robotic Limb). Depois de reunir 15 voluntários, eles pediram que o grupo se sentasse em uma cadeira e se conectasse a um dispositivo – uma espécie de capacete capaz de captar a atividade elétrica do cérebro – ligado a um membro prostético desenvolvido para a pesquisa.

A missão era simples: os voluntários deveriam enviar comandos cerebrais para diferentes tarefas, utilizando seus dois braços naturais e o terceiro artificial, por vezes individualmente, por vezes simultaneamente.

Em impressionantes 75% das 20 tentativas, eles conseguiram completar as tarefas solicitadas: equilibrar uma bola em uma placa com os braços e segurar e soltar uma garrafa com o membro artificial e digitar um texto com as duas mãos enquanto bebiam água de uma garrafa levantada pelo terceiro membro. Veja o vídeo a seguir para acompanhar um dos testes.

Talvez fique um pouco menos bizarro se você pensar que o truque para desempenhar uma tarefa assim, segundo os pesquisadores, é que a mente alternaria muito rapidamente entre um comando e outro, treinando o cérebro para fazer isso cada vez com mais facilidade e velocidade. Nada diferente do que já acontece dentro da sua cabeça quando você está executando duas tarefas simultaneamente, mesmo quando apenas uma delas é um comando para um membro.

Bem, se já somos capazes de reconstruir uma orelha inteira dentro de um braço ou criar pele artificial em laboratório, então por que não implantar um terceiro membro?

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