Podemos não parar para pensar nisso durante nossas vidas, mas evoluímos muito para chegar aonde estamos. Seja na questão tecnológica ou até mesmo em nossos corpos, atualmente tratamos tudo como algo natural, mas no futuro com certeza as coisas vão ser diferentes.

Quando Eva de Naharon morreu, provavelmente não imaginava que, um dia, sua espécie seria capaz de viajar longas distâncias dentro de caixas de metal e em um curto período, nem que seus descendentes se comunicariam através de pequenos objetos brilhantes.

Eva de Naharon

Encontrada no fundo de um cenote — cavidade natural comum na Península de Yucatán e muito utilizada para rituais e sepultamentos pela civilização maia , ela estava a 22,6 metros de profundidade e com 80% da estrutura óssea original, caracterizando-a como o fóssil humano mais antigo das Américas.

Após a realização dos testes de datação, constatou-se que ela habitou a região há 13,6 mil anos e tinha 1,41 metro de altura e pouco mais de 20 anos de idade quando morreu. Ela recebeu esse nome porque foi encontrada no cenote de Naharon, quando pesquisadores estavam em expedição na região. O processo entre descoberta, recolhimento e análises ocorreu de 2001 a 2008.

A equipe do espeleólogo e investigador subaquático Octavio del Rio, pesquisador do Instituto Nacional de Antropologia e História do México, foi responsável pelo achado. Em entrevista à BBC Brasil, ele falou sobre o trabalho realizado, afirmando que ele "é congruente e preciso com as características físicas dos habitantes do sul da Ásia; ou seja, coincide com estudos antropológicos e de DNA realizados em fósseis humanos encontrados nessa região, todos apontando para uma ascendência asiática".

Teorias de ocupação da América

A descoberta da ossada de Eva reforçou as teorias que acreditam no início da migração através de barcos, que se deslocaram de ilha em ilha, chegando à América antes da última Era Glacial. A teoria mais aceita, proposta pela primeira vez em 1590 e validada por descobertas posteriores, defende que há 13 mil anos atrás o nível do oceano recuou 120 metros, abrindo conexões terrestres entre continentes que hoje são impossíveis de se percorrer a pé.

Um dos locais onde isso ficou mais evidente foi no estreito de Bering, região entre o leste da Rússia e o Alasca, que possui um mar naturalmente raso. Como os fósseis de Eva existiram há 13,6 mil anos, seria impossível ela ter chegado à América por meio dessa provável migração em massa.

Reconstrução brasileira

O responsável pela reconstrução da face de Eva de Naharon foi o designer brasileiro Cícero Moraes, reconhecido mundialmente por seu trabalho. Em seu currículo existem cerca de 60 faces de personalidades históricas reconstituídas digitalmente, como Santo Antônio de Pádua, São Valentim e Dom Pedro I. Ao saber sobre o trabalho do designer, Del Rio entrou em contato com ele, com a intenção de que Eva também ganhasse feições.

O objetivo, com a elaboração de um modelo tridimensional do rosto dela, é criar um museu virtual, como um meio alternativo de conhecimento e estudo de restos arqueológicos e paleontológicos que podem ser acessados de forma remota. O designer gostou do resultado; segundo ele, é uma mulher de "rosto altivo e agradável aos olhos, que nos contempla com tranquilidade".

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