O lançamento de sondas sempre busca conhecimento. Nos últimos anos, diversas missões enviadas há muito tempo começaram a alcançar seus objetivos, obtendo e transmitindo preciosas informações sobre diversos corpos celestes do Sistema Solar.

Tomando o Universo como referencial, estamos apenas explorando o quintal de nossa casa, com um mundo inteiro – que temos apenas ideia do tamanho – para ser descoberto. No meio dessa infinidade de possibilidades, procuramos muitas coisas: de um planeta que possua características semelhantes às do nosso até vida inteligente fora da Terra.

Atualmente, o desenvolvimento e o lançamento de sondas são caros e levam muito tempo, então essa exploração acaba sendo bem mais lenta do que o desejado. Existe uma possível solução para isso, que tornaria viável o lançamento de diversos pequenos módulos exploratórios, mas quais seriam as consequências de um programa como esse?

Breakthrough Starshot

Acelerar uma espaçonave com capacidade de manter seres humanos vivos por um longo período de tempo é algo complicado, tanto pela massa do objeto quanto pelas condições de vidas que esses astronautas teriam. Essa seria a solução mais simples para a exploração do Universo, mas infelizmente sua eficácia é muito baixa, considerando todos os pontos envolvidos.

Uma possível solução para a exploração além do Sistema Solar foi proposta pelo aclamado físico Stephen Hawking e se chama Breakthrough Starshot. A ideia funcionaria a partir do princípio das velas solares, que utilizam propulsão eletromagnética para seu deslocamento. A diferença é que, em vez do Sol, um laser seria utilizado para gerar essa força, acelerando uma pequena sonda à distância, que chegaria a um quarto da velocidade da luz.

Ela não seria tripulada, mas, assim como as diversas sondas já lançadas, poderia enviar informações preciosas sobre locais afastados que fossem atingidos. Como a propulsão é realizada a distância, após o lançamento não existiriam formas precisas de direcionar o equipamento, deixando a sorte trabalhar a nosso favor. E talvez esse seja o grande problema da ideia.

Objeto voador desorientado

Apesar do aumento de possibilidades da expansão humana no Universo, o astrofísico e escritor Ethan Siegel levantou questões contra o projeto. Em uma publicação própria, o ex-colunista da NASA e atual redator científico da Forbes alega que poderíamos, sem querer, declarar guerra contra uma civilização alienígena que nem conhecemos ainda.

A sonda imaginada para a missão seria pouco maior que um selo, mas mesmo assim ele acredita que algo tão pequeno e sem armamentos, se movendo a uma grande velocidade, poderia ser assimilado como invasivo demais.

O primeiro problema, segundo Siegel, seria a sonda conseguir sobreviver ao ambiente hostil do espaço sideral. Mesmo com o tamanho diminuto, o deslocamento em grande velocidade poderia fazer com que poeira e outros elementos presentes no caminho servissem como ótimos destruidores de sondas.

A falta de direcionamento também seria um grande empecilho, pois o lançamento poderia ser realizado de forma precisa, mas, considerando as grandes distâncias percorridas, as possibilidades de desvios pelo caminho seriam imensas. Além disso, ao alcançar o objetivo, não existiria uma maneira de frear a sonda e, mesmo com as pequenas dimensões, a alta velocidade traria a possibilidade de um impacto indesejado, que causaria danos imprevisíveis.

O grande risco, segundo Siegel, seria esse último problema. Apesar de a sonda possuir características bem simples e não apresentar grandes ameaças, o fato de não existir um sistema de comunicação poderia transformar o inofensivo objeto em um potencial projétil que, ao se chocar com solo alienígena, seria entendido como um sinal de hostilidade entre espécies.

Tudo não passa de suposição; porém, se com meios de comunicação já conseguimos gerar conflito entre países, imagine as formas de relação que teríamos com uma civilização alienígena. Esperamos que, se isso ocorrer, todos tenham levantado com o pé direito.

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