Um caso que poderia ter sido pinçado de um episódio de "Black Mirror" aconteceu no Reino Unido, quando um acidente de moto vitimou o único filho de um casal de britânicos, um rapaz de 26 anos de idade, solteiro e sem filhos.

O corpo aparentemente só foi encontrado 2 dias após o acidente; então, não se sabe ao certo como os pais do rapaz tiveram a inusitada ideia e, pode-se dizer, uma boa dose de audácia e perspicácia para agir. Em 24 horas, conseguiram encontrar profissionais capacitados para retirar e preservar o esperma do corpo de seu filho, mesmo esse procedimento sendo considerado ilegal em seu país.

Um sopro de vida que estava por um fio

É sabido que o esperma pode permanecer vivo por até 72 horas em um corpo inerte, e, portanto, mesmo com o acidente tendo ocorrido há 48 horas, eles conseguiram salvar o resquício de vida que havia sobrado de seu filho.

Todo o procedimento, desde extração, armazenamento e envio do material para a clínica, foi feito ao arrepio da lei. O Reino Unido proíbe e pune a extração não consentida de esperma.

Diante disso, as autoridades dizem não saber como o casal, na faixa dos 50 anos de idade e sobre os quais existem poucas informações, teria convencido profissionais que realizaram a extração, o armazenamento e o traslado a cometer infrações desse porte, correndo o risco de sofrer as consequências criminais. Sabe-se, no entanto, que possuem excelente condição financeira e que todo o processo teria custado de 60 mil a 100 mil libras.

Depois da retirada do esperma, o material foi imediatamente congelado e, somente após 1 ano, enviado por um serviço de courier médico aos Estados Unidos para uma clínica especializada em fertilização in vitro, localizada em San Diego, na Califórnia.

Segundo relato ao jornal britânico Daily Mail pelo médico responsável pela fertilização, o pedido do casal era claro: o intuito era produzir um neto homem, e ambos foram bem específicos nos critérios de escolha da doadora dos óvulos e barriga de aluguel. A mulher deveria ter um perfil físico e intelectual compatível ao que, aos seus olhos, correspondesse à possível escolha de seu filho quando se casasse.

O casal procurou a clínica do doutor David Smotrich, profissional altamente especializado e reconhecido mundialmente por esse tipo de técnica de seleção de gênero de embriões, prática que também é vetada no Reino Unido.

“Produzir um bebê com esperma post-mortem é algo extremamente raro, eu o fiz apenas cinco vezes”, contou o médico ao mesmo jornal, complementando que estava ciente de que o rapaz não havia deixado por escrito qualquer consentimento com relação ao procedimento.

A balança moral e ética do caso

A criança nasceu em 2015 e tem hoje por volta de 3 anos de idade. Os pais/avós estiveram presentes desde o nascimento encomendado do bebê e só teriam voltado ao Reino Unido após a oficialização completa da papelada garantindo a eles o direito legal como pais da criança. No entanto, o fato é que agora os responsáveis pelo ato poderão ter que enfrentar os tribunais.

Se, por um lado, no Reino Unido a extração post-mortem sem consentimento é estritamente ilegal, por outro, os pais afirmam categoricamente que esse era um desejo genuíno de seu filho. Há também toda a carga emocional de esperança que se renova no seio familiar, um componente difícil de julgar e compreender estando de fora da história.

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