Há 73 mil anos, alguém resolveu rabiscar a parede de uma caverna onde hoje é a África do Sul, sem imaginar que seus descendentes encontrariam o registro tanto tempo depois. Agora, o possível desenho é considerado o mais antigo já descoberto por arqueólogos.

O pedaço de pedra encontrado foi chamado de L13, e o desenho consiste em algumas linhas que se cruzam, feitas com um parente distante dos atuais lápis, de cor vermelho ocre. O significado é um mistério que provavelmente não vai ser desvendado; porém, segundo o artigo publicado na revista Nature, não existem dúvidas de que foi intencional.

O sítio arqueológico de onde o L13 saiu é conhecido pela riqueza de material da Idade da Pedra, fornecendo algumas das mais antigas evidências de atividade cultural humana na África. Grande parte dos materiais encontrados ali, como pontas de flecha, colares de conchas e peças de argila, foram produzidos em um período entre 100 e 70 mil anos atrás.

A peça analisada foi descoberta em 2011, mas dentre tantos elementos retirados do local, foi o arqueólogo Luca Pollarolo, coautor do estudo, quem percebeu algo fora do comum naquele pedaço de pedra. A tela utilizada pelo artista pré-histórico é conhecida como silcrete, um mineral com aparência de concreto, composto por areia fina e cascalho.

Sem coincidências

Existia uma possibilidade remota de que as linhas tivessem surgido naturalmente e, para acabar com essa dúvida, foi realizada uma análise com microscópios óticos e eletrônicos. Junto dessas soluções, também foram feitas análises químicas que definiram a origem do pigmento como proveniente de argila. A combinação das técnicas permitiu aos cientistas confirmar que “o pigmento vermelho ocre foi intencionalmente aplicado à pedra com um lápis ocre”.

No intuito de entender melhor as condições em que as linhas foram feitas, Christopher Henshilwood e Francesco d’Errico, ambos da Universidade de Bergen e principais autores do estudo, traçaram linhas em uma pedra semelhante, variando as condições em cada experimento.

Com isso, eles chegaram à conclusão de que a ponta do objeto utilizado para riscar a pedra tinha entre 1 e 3 milímetros de diâmetro e ainda identificaram se as linhas foram feitas com um único movimento ou precisaram de um reforço. O pequeno L13 possui 3,8 centímetros em sua maior dimensão, então provavelmente era parte de algo maior e mais elaborado, desenhado em uma área maior.

Durante o período, a argila era utilizada de diversas formas, dentre elas como protetor solar e um dos ingredientes para uma espécie de cola. A quantidade de argila que existia na pedra era bem pequena, fato que levou os autores a concluírem que o material não estava ali por outros motivos —se trata, definitivamente, de um desenho.

Vale mencionar, ainda, que existe uma controvérsia em relação ao desenho mais antigo, pois foram encontrados na Espanha desenhos feitos por neandertais há 64 mil anos. Como no local onde foi encontrado o L13 há objetos datados de 100 mil anos atrás, a expectativa dos arqueólogos é de que seja encontrado algum desenho tão antigo quanto.

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