Assim como uma casa que é aquecida quando o forno na cozinha está ligado, o planeta Terra também emite calor para o espaço. Desde a década de 1950, cientistas observam uma relação linear entre a temperatura da superfície da Terra e o calor emitido para fora.

Apesar de ser difícil explicar o motivo pelo qual essa relação é linear, já que nosso planeta é um sistema extremamente complexo e com diversos fatores de influência, cientistas do MIT, Instituto de Tecnologia de Massachusetts, encontraram uma relação entre o aquecimento global e a energia liberada no espaço. O problema? Há um limite. E não estamos tão longe assim.

O modelo desenvolvido mostrou que o planeta emite calor tanto da superfície quanto da atmosfera. À medida que a temperatura de ambos sobe, o ar recebe mais vapor de água, que age como um cobertor de calor em volta da Terra. Nos testes ficou claro que a relação só é linear até certo ponto.

Em resumo, os cientistas notaram que com o aumento da temperatura do globo, mais calor deveria ser emitido para o espaço, mas como estamos emitindo mais dióxido de carbono e vapor na atmosfera, esse calor acaba ficando retido aqui mesmo. Ou seja, em vez de abrir as janelas para que a cozinha não superaqueça a casa, estamos selando as aberturas para manter a temperatura em elevação.

A relação linear de emissão de calor para a atmosfera funciona até cerca de 26,6 graus Celsius; a partir daí, o cenário fica bem mais complicado e as coisas literalmente vão esquentar por aqui, em uma proporção bem maior e mais rápida.

Por enquanto, estamos na faixa de 11 graus Celsius, de acordo com Daniel Koll, um dos autores da pesquisa publicada recentemente em Proceedings of the National Academy of Sciences. “Isso significa que ainda estamos bem; porém, se a Terra ficar mais quente, podemos nos deparar com um mundo não linear, onde as coisas se tornarão bem mais complicadas”, afirma.

Para termos uma ideia do que seria esse cenário, Koll cita o planeta Vênus, que se acredita ter sido muito similar ao nosso, apesar de sua proximidade em relação ao Sol.

“No passado, achávamos que a atmosfera de Vênus tinha muito vapor de água, e o efeito estufa teria se tornado tão forte que o calor não poderia mais sair, formando então um aquecimento descontrolado”, explica Koll. “Nesse caso, o planeta inteiro fica tão quente que os oceanos começam a ferver, coisas desagradáveis começam a acontecer.”

Ele acredita que o limite para a Terra se transformar em Vênus seria em algo em torno de 66 graus Celsius. Mas é importante lembrar que, a cada grau elevado, existem mudanças no planeta e consequência para os seres vivos, que já enfrentam escassez e extinção, alterando toda a cadeia alimentar e o meio ambiente.

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