A lista de exoplanetas — isto é, mundos identificados além dos limites do Sistema Solar —, como você sabe, não para de aumentar, com a conta de planetas confirmados somando 3.791 mundos (segundo a NASA) e de possíveis candidatos identificados só pelo telescópio espacial Kepler batendo mais de 4,7 mil. Pois parece que agora os cientistas terão que inaugurar a lista de “exoluas” também, uma vez que uma dupla de astrônomos acredita ter encontrado o primeiro satélite orbitando um mundo situado em outro sistema planetário.

Observações

É importante ter em mente que os astrônomos ainda precisam confirmar que realmente se trata de um satélite por meio de mais observações, mas se trata de uma forte candidata a primeira exolua já descoberta pela Ciência (terráquea). Seja como for, o astro foi identificado por uma dupla de astrônomos da Universidade de Columbia, nos EUA, com a ajuda do telescópio espacial Hubble e orbita um planeta gasoso que se encontra a 8 mil anos-luz de distância da Terra.

Planeta e sua Lua(BBC/Dan Durda)

O exoplaneta, Kepler 1625b, tem mais ou menos as mesmas dimensões de Júpiter e faz parte de um sistema planetário que orbita a estrela Kepler 1625. Esse mundo leva 287 dias terrestres para completar uma volta ao redor de seu Sol — e foi durante observações a esse mundão distante que os pesquisadores notaram a exolua. E como foi isso?

Conforme explicamos em matérias anteriores aqui do Mega Curioso, os cientistas se baseiam na observação e trânsitos astronômicos para descobrir e observar exoplanetas. Esse método consiste em acompanhar o movimento dos corpos celestes diante de suas estrelas, uma vez que essa passagem provoca uma redução (ou bloqueio parcial) da luz emitida pelo astro e, a partir da coleta de informações, os cientistas são capazes de determinar se o corpo celeste é realmente um planeta, qual é a sua possível composição, dimensões etc.

Candidata gigante

A exolua foi observada por meio desse mesmo sistema e, o que levou os astrônomos — David Kipping e Alex Teachey — a suspeitarem que o que eles viram pode ser um satélite, foi uma variação inesperada na emissão de luz. Mais especificamente, o Hubble acompanhou o trânsito do Kepler 1625b durante 19 horas, mas, por volta de 3,5 horas mais tarde, os cientistas notaram uma segunda diminuição de luz, possivelmente provocado pelo trânsito de um satélite em órbita ao redor do exoplaneta.

Trânsito astronômico(BBC/Dan Durda)

Os astrônomos também detectaram uma variação na periodicidade em que o Kepler 1625b transita ao redor de sua estrela — o planeta vem sendo observado há 4 anos e “passou” diante de seu Sol quase 1 hora e meia antes do esperado —, sugerindo que uma lua pode estar afetando o comportamento do Kepler 1625b e provocando essa anomalia. Aliás, se conformada a existência do satélite, estaremos falando de uma baita de uma lua!

Segundo estimaram os astrônomos, o satélite teria tamanho equivalente ao do planeta Netuno, o que significa que, se real, ele terá uma massa por volta de 10 vezes superior às de todas as luas e planetas rochosos do Sistema Solar juntos! Com isso em mente, imagine só o tamanho do Kepler 1625b — uma vez que, de acordo com os cálculos, o satélite tem apenas 1,5% de sua massa, o que seria equivalente à diferença que existe entre a Terra e a Lua.

Enfim, de momento, o candidato a satélite foi batizado de Kepler 1625b i, e os astrônomos realizarão novas observações para confirmar que não se trata de outro planeta — muito, muito menor do que o Kepler 1625b — que eles simplesmente não tinham visto ao longo dos 4 anos em que andam de olho nesse sistema planetário. O próximo trânsito deve ocorrer em maio do ano que vem, portanto, teremos que aguardar mais um pouco antes de inaugurar a lista de exoluas oficialmente.

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