"Os próximos poucos anos são provavelmente os mais importantes da nossa história". Com esta fala, uma das diretoras do Painel Intergovernamental de Mudança Climática da ONU (IPCC), Debra Roberts, fez o alerta: se não conseguirmos reduzir o aquecimento global e limitá-lo a 1,5 ºC, as consequências serão palpáveis e devastadoras bem mais cedo do que se previa nos relatórios anteriores.

Se continuarmos como estamos, em apenas 12 anos o derretimento das geleiras será intensificado, aumentando os níveis do mar, teremos muito mais secas em alguns lugares, bem mais tempestades em outros. As regiões tropicais – como esta onde se encontra o Brasil, serão as mais afetadas.

Com o aquecimento global de 2 ºC, até 2100, o nível do mar terá subido 10 cm a mais do que cresceria com 1,5 ºC. Perderíamos quase 100 dos recifes de coral do mundo, e o Oceano Ártico ficaria livre de gelo do mar somente uma vez a cada década, algo que seria ampliado para uma vez a cada século, com um aquecimento de 1,5 ºC.

As mudanças serão irreversíveis, principalmente com a perda de ecossistemas inteiros, algo que desequilibraria todo o globo. Na segunda-feira (8), o IPCC divulgou um relatório de 700 páginas, com a participação de cientistas do mundo inteiro, que deixa claros os riscos caso o ser humano continue queimando combustível fóssil de maneira desenfreada, como vem acontecendo até agora.

Por isso, o IPCC tornou ainda mais ousada a meta de redução de temperatura global que havia sido estipulada no acordo internacional firmado em Paris em 2015. Na época, as nações se comprometeram a se esforçar para contribuir para chegar aos 2 ºC – número que, atualmente, se sabe que não é suficiente.

O ponto principal para conseguir alcançar essa projeção é a diminuição drástica da queima de combustíveis fósseis como o carvão mineral e o petróleo. Segundo o relatório, basicamente precisamos reduzir nosso consumo em 45% com relação ao que tínhamos em 2010, que já era bem menor do que o que temos hoje, até 2030, como aponta o gráfico a seguir.

Parece difícil, não é? Sim! E vai ser mesmo, considerando que esses combustíveis estão entre os mais usados no mundo e que o segundo país que mais emite CO2 na atmosfera, os Estados Unidos, já disse que vai tentar, mas não se compromete.

Mas não é somente deles que estamos falando. Para alcançar a meta, é preciso transformar completamente – em 12 anos! – a forma como alimentamos nossos sistemas industriais, construtivos, de geração de energia, de manejo da terra e de transporte, reduzindo em 66%, pelo menos, o atual consumo de carvão.

Por que isso agora?

A preocupação com o aquecimento global não é novidade, e desde o acordo de 2015 o IPCC intensificou seu levantamento na área. Mais de 6 mil publicações científicas foram avaliadas, com autoria de 132 pesquisadores, e mais de mil cientistas analisaram os dados reunidos.

Além de fazer o alerta para os governos do mundo inteiro – ao menos para os 180 países que participam do acordo –, o IPCC vem trabalhando em alternativas para ajudar a reduzir o impacto do dióxido de carbono, removendo-o da atmosfera.

Já existem, por exemplo, máquinas que limpam o ar, retirando o dióxido de carbono, e a utilização de bioenergia com plantas e ferramentas que fazem a captura do carbono também são soluções recomendadas.

De qualquer modo, embora haja tecnologias que contribuem com isso, a melhor forma de alcançar o objetivo seria simplesmente parar de poluir o ar com esse elemento. No entanto, o detalhe é que isso inviabilizaria toda a estrutura que faz o mundo girar em termos de economia, transportes e demais sistemas do tipo.

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