Todo mundo sabe enumerar algumas das consequências da liberação de dióxido de carbono na atmosfera, certo? Caso você tenha tido um branco repentino e não tenha conseguido pensar em como esse composto — produzido e liberado às toneladas por nós diariamente — afeta o planeta, ele é responsável pelo incremento da poluição, pelo aumento das temperaturas globais, por desencadear variações climáticas e por impactar a saúde de milhões de pessoas, por exemplo.

No entanto, apesar de estarmos mais familiarizados com os efeitos produzidos na superfície do planeta — afinal, além de eles serem visíveis, podemos senti-los na própria pele! —, estudos vêm apontando que os oceanos têm sofrido bastante por conta da alta liberação de CO2 por atividades humanas. Aliás, uma pesquisa recente revelou que o leito oceânico está se dissolvendo por ação do composto. Tenso, né?

Não basta a superfície

O que acontece é que os oceanos absorvem o dióxido de carbono presente na atmosfera — tanto que, de acordo com a NASA, 48% do excesso do composto que os humanos liberaram foram parar nas águas do mar! Ademais, levantamentos realizados ao longo dos anos revelaram que mais de 520 bilhões de toneladas de CO2 foram absorvidas pelos oceanos desde o início da Era Industrial, fazendo com que, de 200 anos para cá, os mares se tornassem cerca de 30% mais ácidos.

Fundo do marNem as profundezas escapam das atividades humanas (New Atlas/tomisl.z/Depositphotos)

Essa acidificação vem causando todo tipo de problema, como, por exemplo, o branqueamento de corais — resultante da morte dos pólipos responsáveis pela construção dos recifes —, alterando as relações entre predadores e presas, interferindo no instinto de sobrevivência de criaturas marinhas e causando a destruição de todo tipo de estrutura presente no fundo do mar.

Pois, para piorar, o estudo apresentado agora — conduzido por cientistas das universidades de Princeton e McGill, nos EUA — revelou que “bolsões” de água marinha acidificada estão literalmente dissolvendo partes do leito oceânico.

O fundo do mar é composto, basicamente, por fragmentos de carbonato de cálcio oriundos dos corpos do plâncton e de outros seres marinhos que vão morrendo, entrando em decomposição e se depositando no leito. E o que os pesquisadores descobriram foi que, no caso das grandes profundidades, por conta da enorme pressão registrada ali, a concentração de CO2 é maior, e esse composto reage com o carbonado, neutralizando o carbono e criando bicarbonato — e tornando a água ainda mais ácida.

Estudo dos oceanosMapeamento do problema (New Atlas/Universidade McGill)

As regiões mais afetadas, de acordo com os cientistas, se encontram no Atlântico Norte, onde o índice de dissolução causada pelo CO2 resultante de ações humanas foi estimado entre 40 e 100%, e nos oceanos mais ao sul do planeta, como o Índico. A boa notícia (que na real, não é boa, mas, né?) é que as áreas atingidas por esse efeito são limitadas, e a maior parte do leito oceânico não está se dissolvendo ainda.

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