Há 42 anos, biologistas encontraram uma cobra dentro do estômago de outra cobra na região sul do México. Depois de muitos estudos e muito tempo, finalmente um time da Universidade do Texas, em Arlington, determinou de que o animal "devorado" era de uma espécie que, até então, era desconhecida.

Batizada de Cenaspis aenigma, termo em latim que significa "a enigmática cobra do jantar" em tradução livre e que foi dado por conta da inusitada forma que deu origem à espécie, a cobra foi preservada durante décadas e, na última publicação da Journal of Herpetology, mais detalhes a seu respeito foram dados.

De acordo com a National Geographic, o único exemplar da Cenaspis foi descoberto quando um fazendeiro que trabalhava na mata de Chiapas, no México, matou uma cobra coral. Ao entregar o animal morto para cientistas, eles descobriram que havia outro animal menor, "levemente digerido", no estômago da original.

Diversas pesquisas foram feitas e pesquisadores vasculharam a região em busca de uma representante viva da Cenaspis, mas não obtiveram sucesso. "Essa enigmática cobrinha possui um conjunto de características que desafia a sua colocação em qualquer grupo conhecido e claramente se dinstingue de todos os gêneros conhecidos", dizem os pesquisadores responsáveis pela criação da nova espécie.

A "Enigmática Cobra do Jantar" possui uma série de linhas irregulares e triangulares na porção inferior do corpo. A morfologia do crânio e os 14 dentes posicionados na parte superior da arcada também a distingue dos demais – e também entrega que ela é (ou era) uma espécie não-venenosa que se alimenta de insetos.

No entanto, foi outra parte da cobra que chamou a atenção dos pesquisadores: o hemipênis. De acordo com o grupo liderado por Jonathan Campbell, o formato do órgão sexual da cobra não se comparada a nenhum outro da maior família de cobras conhecida.