Você ouviu falar sobre o Projeto Blue Book, aquele que inspirou uma nova série do History Channel (ainda não lançada no Brasil)? Ele consistiu em um programa secreto da Força Aérea dos EUA focado na investigação de supostos avistamentos de OVNIs e esteve ativo entre 1952 e 1969 – o que significa que este ano marca o 50º aniversário do projeto.

Pois Lucas Reilly, do site Mental_Floss, reuniu uma porção de curiosidades sobre o Projeto Blue Book em um interessante artigo, e nós aqui do Mega selecionamos 5 delas para compartilhar com você. Confira:

1 – Iniciativas anteriores

O primeiro projeto lançado pelos norte-americanos com o propósito de examinar supostos avistamentos de naves alienígenas foi o Projeto SIGN, devido ao enorme interesse que os relatos de um piloto chamado Kenneth Arnold – que, em 1947, teria visto 9 objetos estranhos sobre o Monte Rainier, em Washington – atraíram do público.

No centro, o último diretor do Programa Blue Book, Major Hector Quintanilla (Reprodução/Daily Mail/Alamy)

Na época, é óbvio que circularam rumores de que Kenneth tinha visto discos voadores, e as autoridades lançaram uma investigação para averiguar a origem dos objetos e se eles ofereciam risco ao país. Dizem que o pessoal por trás do Projeto SIGN chegou a publicar um relatório em 1948 em que sugeria que as visitas de aliens podiam explicar os avistamentos, mas ele acabou sendo destruído – dando origem a uma nova investigação no finalzinho da década de 40, batizada de Projeto GRUDGE.

2 – Origem do nome

Segundo Lucas, embora o projeto estivesse relacionado com a investigação de objetos voadores não identificados, a inspiração para o nome “Blue Book” (“Livro Azul”, em tradução livre) é bem mundana! A origem está em uma prova final que estudantes norte-americanos fazem quando ingressam no ensino superior, a “Blue Book Exam”, e para qual devem estudar bastante.

(Reprodução/History)

Nos anos 50, quando os relatos de avistamentos de OVNIs estavam em seu ápice nos EUA, e os oficiais da Força Aérea tinham que tentar descobrir o que eram os tais objetos voadores e se eles representavam algum perigo, os militares começaram a dizer que investigar os casos era tão trabalhoso quanto estudar para o Blue Book Exam – e o nome acabou pegando.

3 – Milhares de relatos

De acordo com Lucas, durante o período em que o programa se manteve ativo, nada menos que 12.618 relatos de possíveis avistamentos de OVNIs foram coletados pelos oficiais e, desses, 701 jamais foram explicados.

(Reprodução/UFOs-Disclosure/History Channel)

Aliás, quase metade desses objetos não identificados foram vistos apenas em 1952, quando as autoridades registraram mais de 1,5 mil ocorrências. E mais: no ano seguinte, o governo aprovou uma lei que proibia os militares de falarem com o público sobre casos classificados como sigilosos, e a pena podia chegar a 2 anos de prisão para quem desrespeitasse as regras.

4 – Surgimento da sigla “UFO”

Como você deve saber, a sigla “UFO” corresponde à forma aportuguesada “OVNI” e foi criada por um dos diretores do Projeto Blue Book, o Capitão Edward J. Ruppelt, que liderou o programa como se ele realmente se tratasse de uma pesquisa científica focada em responder questões sem explicação – e é lembrado como o diretor mais imparcial da iniciativa. O último homem à frente do programa foi o Major Hector Quintanilla, que, em contrapartida, tinha como missão pôr um fim no interesse que o público tinha em supostos discos voadores.

5 – Forçando a barra

Segundo Lucas, além de militares, o Projeto Blue Book mantinha um cientista como consultor, o astrônomo Dr. J. Allen Hynek, e esse cara fez críticas bastante duras sobre como as investigações eram conduzidas. Conforme escreveu em um relatório de 1968, a equipe, além de não grande o suficiente, não estava nem perto de ter o preparo científico necessário.

J. Allen Hynek (Reprodução/History)

Hynek escreveu ainda que o diálogo entre o time e pesquisadores externos simplesmente não existia e que os métodos estatísticos usados pelos integrantes do projeto eram uma piada. Além disso, afirmou que a abordagem usada por Hector Quintanilla, último diretor do Blue Book, era a de descartar toda e qualquer evidência que fosse contrária à hipótese defendida por ele.

Para você ter ideia, em 1965, um meteorologista de olho em um radar climatológico, a polícia e funcionários da Base Aérea de Tinker, todos em Oklahoma, detectaram 4 objetos voadores estranhos. Só que, seguindo as orientações de Quintanilla, o pessoal do Projeto Blue Book apresentou um relatório em que afirmava que, na verdade, o que as testemunhas tinham visto era o planeta Júpiter – que nem estava visível no céu na ocasião. Foram tantas desculpas esfarrapadas como essa que os membros do programa chegaram a ser intimados a participar de um interrogatório no Congresso americano!