Achar vida fora da Terra parece ser uma das buscas mais incessantes da humanidade nas últimas décadas. A tecnologia possibilitou que o homem tenha ido ao espaço e à Lua, mas também permitiu que anos-luz de distância fossem enxergados, com o suposto encontro de vários outros planetas que possuiriam uma estrutura semelhante à da Terra.

Tamanho, composição, existência de água líquida e distância da estrela que orbita são alguns dos fatores que mais se tenta comparar ao encontrar um exoplaneta novo com potenciais características de abrigar vida. Acontece que outro fator importantíssimo quase sempre é esquecido: a necessidade de um campo magnético.

As mesmas condições que permitiriam a vida influem diretamente na existência e na força do campo magnético. O da Terra é extremamente favorável à vida, mas outro semelhante é dificílimo de ser encontrado. A doutoranda Sarah McIntyre, da Universidade Nacional da Austrália, analisou 496 planetas e achou em apenas 1 deles um campo magnético semelhante ao da Terra. Na maioria das vezes, esse campo nem sequer existia ou era muito fraco.

Campo magnético é necessário para existir vida (Imagem: NASA)

A cientista alerta que a maioria dos esforços das análises de novos planetas acaba ignorando o campo magnético como fator essencial à vida. E ainda que seja impossível medirmos o real magnetismo devido à distância que esses planetas se encontram, seu tamanho, seu formato e a distância da estrela podem contribuir para se ter uma ideia se o planeta abrigaria um bom campo magnético, antes, então, de catalogá-lo como a potencial “Terra 2”.

Curiosamente, o único planeta que passou no teste de McIntyre como realmente possível de conter vida é o Kepler-186f, o primeiro exoplaneta anunciado dessa maneira, em 2014. Desde então, vários outros viraram candidatos a "Terra dos alienígenas", mas, de acordo com a doutoranda, seria nesse planetinha aí que nossos olhos deveriam se concentrar por um tempo.

Kepler-186f seria o único planeta realmente semelhante à Terra (Imagem: NASA)